O gerente da recepção ficou tremendo, suando na testa.
Isadora acompanhava quieta logo atrás dele.
Pegou a chave do quarto vizinho ao dele.
Lorenzo a acompanhou até a porta: — Descansa.
— Tá bom, irmão, você também.
Lorenzo terminou de falar, mas não saiu de vez; encostou na porta e ficou olhando pra Isadora com aquele sorriso indecifrável por um tempo.
O olhar parecia passar direto por aquela calma encenada.
Pesando o que era verdade por dentro.
— Amanhã cedo, levo você pra família Drummond. Tá nervosa? Irmã Isa. — Ele brincou na voz.
Isadora sabia que os pensamentos dele davam voltas, mas naquela hora ela não estava com paciência nem energia para ir fundo.
Ela lidava com os problemas à medida que chegavam.
Aquela era a sua cartilha de vida até ali.
— Contigo aqui, eu não tenho medo de nada, irmão. — A voz era leve, com confiança.
Lorenzo deu uma risadinha de quem não revela as cartas, fechou a porta e sumiu.
Quando ele saiu, a Isadora desmanchou o sorriso do rosto, fuçou na mala caçando o pijama e a toalha de banho, e foi pro banheiro.
A água quente desceu lavando o cansaço e a sujeira.
No meio do vapor da água.
Isadora olhou para o rosto bonito no espelho, com o olhar gelado.
Quando ela acabou o banho, saiu do banheiro com o vapor, o passo parou no seco.
Lorenzo estava deitado na cama grande dela, numa postura relaxada, como se o lugar fosse dele.
A janela estava escancarada.
O vento frio da noite empurrava sem pedir licença, balançando a cortina, fazendo um barulho feio, e arrepiando na hora a pele exposta de Isadora.
— Terminou?
Lorenzo passeou o olhar nela sem pudor nenhum.

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