Ele apoiava a cabeça com a mão, mantendo o olhar fixo em um tablet à sua frente. Na tela, havia uma partida de xadrez inacabada, com as peças pretas e brancas em meio a um embate intenso.
O silêncio era sutil.
Afonso, o motorista, interveio para explicar com um sorriso:
— Não se ofenda, senhorita. O jovem mestre não é de falar muito.
Isadora seguiu o olhar de Gabriel para o tabuleiro digital.
— Ele também gosta de xadrez? — perguntou ela para Afonso, mas mantendo os olhos em Gabriel.
— Joga ocasionalmente, para passar o tempo.
Afonso respondeu e olhou para Isadora pelo retrovisor.
— Senhorita, como é que estava sozinha pedindo carona na beira da estrada?
Isadora deu uma mordida no sanduíche e respondeu calmamente:
— O carro quebrou e o motorista foi procurar ajuda. Como eu estava com pressa, decidi dar um jeito sozinha.
Ela olhou para Afonso.
— Muito obrigada pela ajuda hoje. Se não fosse por vocês, eu certamente me atrasaria.
Afonso assentiu, mas achou a situação estranha.
O carro quebrou? Com a influência da família Drummond, mesmo que houvesse um problema mecânico, eles enviariam outro carro imediatamente. Por que deixariam a senhorita sozinha na estrada?
Parecia haver algo por trás disso.
Enquanto isso, no distrito industrial, Seu Li fingiu voltar de uma ligação. Ao ver a estrada vazia e o carro ainda parado, ele ficou tenso.
Olhou ao redor e confirmou que não havia ninguém. Pegou o celular e ligou para Lorenzo Drummond.
Após alguns toques, a chamada foi atendida.
A voz de Lorenzo soou fria:
— Fale.
— Jovem mestre — sussurrou Seu Li, falando rápido. — A senhorita sumiu. Eu fingi que ia ligar e, quando voltei, ela não estava mais perto do carro. Procurei nos arredores e não a encontrei.

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