À beira da estrada, a garota mantinha a postura ereta. Mesmo pedindo carona, parecia estar esperando por um carro particular.
Gabriel Mendonça olhou para o carro quebrado por um instante e depois voltou a observar o rosto da garota.
O veículo se aproximou em velocidade constante.
Ele bateu os dedos levemente no apoio de braço.
Afonso entendeu o sinal e freou suavemente, parando o sedã preto diante de Isadora.
A janela não abaixou.
Os vidros escuros bloqueavam a visão, mas Isadora sentia que alguém a observava de dentro.
Ela permaneceu calma.
Sem desespero ou súplica, apenas esperando pacientemente.
Segundos depois, a janela do passageiro baixou apenas uma fresta.
Isadora se aproximou e disse educadamente:
— Com licença, nosso carro quebrou. Poderia me dar uma carona? Posso descer no próximo cruzamento e pagarei pelo trajeto.
Dentro do carro, Gabriel a observava pela fresta.
Os dedos da garota estavam levemente avermelhados pelo frio, mas sua postura continuava firme.
Afonso olhou pelo retrovisor para o seu mestre.
O jovem assentiu quase imperceptivelmente.
Então, Afonso se virou para Isadora:
— Para onde a senhorita vai?
— Colégio Verdes Mares.
— Que coincidência — Afonso sorriu. — Estamos indo justamente para lá.
Ele hesitou, vendo que Gabriel não se opunha, e disse:
— Entre, vamos juntos.
Isadora ficou surpresa, mas agradeceu.
Havia um cavalete no banco do passageiro, então ela teve que ir para o banco de trás.
Ao abrir a porta, viu Gabriel Mendonça.

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