Isadora não disse nada.
Era a primeira vez...?
Ela apertou os lábios, sentindo-se um pouco culpada.
Otávio Drummond olhou para os lábios avermelhados dela e os olhos úmidos pelo beijo. De repente, ele não queria deixá-la ir.
Mas, naquele momento, em cima do armário de bebidas, o celular vibrou.
A tela acendeu, exibindo uma chamada.
Era Diana Drummond.
Otávio pegou o aparelho, olhou e não atendeu.
A vibração parou rápido, seguida por uma mensagem.
— Tio, o tabuleiro de xadrez está pronto. Estou te esperando no escritório. ^_^
Ele guardou o celular e olhou para Isadora.
— Pode voltar.
Isadora não saiu imediatamente.
Ela olhou para ele e perguntou baixo:
— O senhor gosta muito de jogar xadrez?
Otávio semicerrou os olhos, como se lembrasse de algo.
Alguns segundos depois, ele disse calmamente:
— Uma pessoa gostava.
Ele não disse se era homem ou mulher, mas Isadora captou um lampejo de saudade e cautela no olhar dele.
Aquele olhar era gentil demais, nada parecido com ele.
Parecia ser uma mulher.
Isadora não insistiu. Ela sorriu.
— Então eu vou indo. Boa noite, tio.
Ela arrumou a roupa, abriu a porta e saiu, fechando-a suavemente.
O corredor estava em silêncio.
Apenas as batidas do seu próprio coração ressoavam em seus ouvidos, junto com o calor e o hálito de Otávio que ainda restavam em seus lábios.
No terceiro andar, Isadora empurrou a porta do quarto.
A luz estava apagada, mas a lua que entrava pela janela era forte o suficiente para ela ver uma silhueta na beirada da cama.
Era Lorenzo Drummond.
Ele vestia uma camisa preta com dois botões abertos, as mangas dobradas até os cotovelos, revelando o antebraço. Uma das mãos estava apoiada no joelho dobrado, segurando um cigarro. O ponto vermelho da brasa brilhava na penumbra, enquanto a outra mão batia levemente no colchão.
Ao ouvir a porta, ele ergueu a cabeça.
A luz da lua iluminou seu rosto. Seus olhos, sempre distantes, estavam cheios de desdém.
— Voltou?
Ele falou baixo, com um tom de deboche preguiçoso.
— A cama de Otávio Drummond é confortável?
Isadora quase quis rir. Assim que saiu de um, o outro apareceu.
Ela acendeu o interruptor na parede e fechou a porta.
— O que o meu irmão está fazendo no meu quarto?
A voz dela estava calma, sem demonstrar emoção.
— Vim ver como minha querida irmãzinha sobe na cama de um homem. — Lorenzo apagou o cigarro, levantou-se e caminhou em direção a ela.
Ele a olhou de cima.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: 500 Reais pelo Fim: A Entrega Amarga da Ex-Favorita