Na manhã seguinte, o dia mal havia amanhecido.
O celular de Isadora vibrou subitamente. Ela o pegou debaixo do travesseiro, ainda sonolenta.
— Alô...
Houve um silêncio do outro lado.
Então, a voz fria e estável de Otávio Drummond soou:
— Eu te acordei?
Isadora virou na cama, o cobertor escorregando até a cintura.
A temperatura do ar-condicionado estava agradável. De olhos fechados, a voz dela parecia a de um gato que acabara de despertar.
— Hum... O senhor precisa de algo?
Do outro lado da linha, Otávio tinha acabado de tomar banho. O roupão estava amarrado de forma frouxa na cintura, e gotas de água escorriam pelo seu pescoço.
Pelo fone, a voz da garota, doce e carregada de sono, fez um calor repentino e incontrolável subir pelo seu corpo..
Ele franziu a testa, mas manteve a voz estável:
— Os trâmites da matrícula foram concluídos. Vá direto para a diretoria se apresentar. Tenho compromissos hoje, então não irei.
— Está bem... Obrigada, tio. — Isadora ainda estava entre o sono e a vigília.
A voz dela se arrastou, suave.
Otávio apertou o celular com mais força.
— Sim.
Ele respondeu e desligou rapidamente.
Quando a chamada terminou, Otávio olhou para a tela por alguns segundos antes de abrir suas mensagens.
Havia uma mensagem não lida de ontem à noite, de Luciana Valente:
— Você vem hoje?
Ele estivera jogando xadrez com Diana até a madrugada e esqueceu de responder.
Agora, vendo a mensagem, hesitou por um momento.
Por fim, não respondeu e desligou o aparelho.

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