Zoé Santos soltou uma risada abafada.
— Sabe mesmo como me elogiar.
Levantou-se, lançando um olhar de cima para baixo para ele, despreocupada, quase desdenhosa.
— Mas não posso ajudar, Sr. Henrique. Vai ter que se virar sozinho.
Bento Passos, através da fumaça do cigarro, olhou para Zoé Santos. Havia um leve traço de surpresa em seu olhar.
Zoé Santos sempre foi conhecida pela sua frieza, só relaxando um pouco na presença de pessoas íntimas. Mas agora, diante daquele homem com quem não tinha tanta proximidade, estava claramente à vontade.
O delivery ainda demoraria um pouco para chegar.
Zoé Santos abriu a caixa de romãs. No topo, bem no centro, havia uma pequena caixa de presente vermelha. Sobre ela, estava escrito com uma caligrafia elegante:
“Zoé, feliz aniversário. — Mamãe”
Zoé Santos abriu a caixa. Dentro, havia um maço generoso de dinheiro vivo e um amuleto da sorte, junto com um cartão:
“Zoé, feliz aniversário de 18 anos. O tempo passou voando, de repente você cresceu tanto e já não está mais ao lado da mamãe. Sinto saudades todos os dias. Meu único desejo é que você seja sempre feliz e esteja em paz. Embora não possa estar sempre ao seu lado, sempre que você precisar, mamãe estará aqui.”
A caligrafia delicada era de Yasmim Castro, sua mãe, e destoava completamente da letra forte e ousada de Zoé Santos.
Zoé Santos dividiu as romãs entre Bento Passos, Henrique Farias e Pedro Soares.
— Minha mãe quem plantou, experimentem.
Pedro Soares, com mais de um metro e oitenta e mãos grandes, ficou surpreso ao ver a romã maior do que sua palma, precisando das duas mãos para segurá-la.
— Não sabia que dava pra cultivar uma romã desse tamanho!
— Minha mãe é uma ótima cultivadora — respondeu Zoé Santos, e, ao falar de Yasmim Castro, sua voz ganhou uma rara suavidade.
— Incrível. Deve ser bem doce, então — comentou Pedro Soares, pegando uma faca de frutas e, em seguida, pesquisando técnicas de abrir romã no Instagram.
Sempre antenado com as redes sociais, não fazia nada sem antes buscar dicas online.
Henrique Farias fez alguns cortes ao longo da flor da romã, acompanhando suas linhas naturais, e abriu-a facilmente. Então pegou a tigela de Zoé Santos e, com habilidade, bateu levemente na casca da romã com o dorso da faca.
As sementes vermelhas, brilhantes e suculentas, caíram limpas na tigela com um som agradável.
Henrique Farias entregou a romã já descascada para Zoé Santos.
— Come essa.
E pegou a que estava nas mãos dela para descascar em seguida.
Zoé Santos fixou o olhar nos longos e elegantes dedos dele, demorando-se por dois segundos.
Pela primeira vez, percebeu que tinha uma queda por mãos bonitas.
Pedro Soares observava a cena, completamente surpreso.
O que Zoé Santos teria feito para domar assim o herdeiro da família Farias, alguém que nunca precisou sujar as próprias mãos?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...