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Zoé Santos:A Fênix de Cidade R romance Capítulo 56

Zoé Santos largou a mala e a bolsa de qualquer jeito ao lado, sentando-se em uma poltrona individual.

Despreocupada, cruzou as longas pernas com um ar de arrogância.

Virando o rosto de leve, lançou um olhar oblíquo, meio sorriso nos lábios, os olhos escuros semicerrados —

— Com essa boca suja, você também está aqui numa boa.

A voz da garota soou calma, o sorriso era espontâneo, mas entre as sobrancelhas delicadas transbordava uma audácia fria, impossível de esconder.

— Zoé Santos!

Patrícia Lacerda bateu com força no apoio da poltrona e se levantou, o rosto tomado por uma fúria sombria, a expressão retorcida de raiva prestes a explodir. Avançou para dar um tapa na filha.

Mas Thiago Santos, rápido, segurou-a e tentou acalmá-la, fazendo-a sentar-se de novo.

— Zoé, você não devia falar assim com a mamãe. — Thiago olhou para ela. — Você some, não volta pra casa, a mamãe fica preocupada.

— Ah. — Zoé puxou um sorriso irônico. — Então é assim que ela demonstra preocupação.

— A mamãe...

— O que você quer saber? — Zoé o interrompeu, claramente impaciente.

Thiago nem teve tempo de responder.

Neste momento, Sr. José e Rubens Santos saíram do escritório.

— Zoé, voltou?

Sr. José parecia não perceber o clima pesado na sala, falando com serenidade:

— Ainda não jantou, né?

Enquanto falava, olhou para Bruno:

— Traz uma canja pra Zoé.

— Sim, senhor. — Bruno foi para a cozinha.

Sr. José sentou-se perto do sofá, o olhar pousando sobre a pequena caixa de madeira aos pés de Zoé Santos:

— Zoé, o que é isso?

— Remédio natural, para insônia. — Zoé respondeu ao avô com uma paciência rara.

Patrícia Lacerda, ao ouvir isso, ficou paralisada por um instante.

Remédio?

Lembrou-se do que acabara de dizer sobre “essas porcarias”, um desconforto rápido passou por seu olhar.

— Sim, senhora. — A funcionária foi à cozinha.

— Patrícia Lacerda. — O olhar do Sr. José se voltou para ela. — É preciso ter paciência com os filhos, pensar antes de falar. Somos uma família. Essas palavras afiadas, esse antagonismo, não são conduta de mãe.

A pequena culpa que Patrícia sentira ao perceber o mal-entendido com Zoé foi varrida pela preferência óbvia do sogro.

Ela deu um sorriso frio:

— Pai, por que não pergunta o que ela anda fazendo por aí? Eu errei ao chamá-la atenção? Quando ela briga com alunos do Lumiar e envergonha a família Santos, ela pensa antes de agir?

— Sem motivo? — Zoé retrucou com indiferença. — Quem te contou isso?

— Vai negar? — Rubens Santos interveio, olhando-a. — Então diga, o que fizeram para você reagir desse jeito, entrando em briga?

Ele a olhou de cima a baixo:

— Você está bem, mas o aluno do Lumiar saiu com a cabeça aberta.

Se não fosse pelo Bento Passos, talvez tivessem que buscar Zoé na delegacia.

Zoé terminou a última colherada da canja e pousou a tigela.

Os olhos escuros se ergueram, a voz gélida:

— Então quer dizer que eu só posso reagir quando acontece algo grave comigo?

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