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Zoé Santos:A Fênix de Cidade R romance Capítulo 28

— Talita volta para a escola amanhã. O último ano do ensino médio é puxado, ela precisa de nutrientes em dia. Amanhã, chame a nutricionista para vir aqui.

Talita Santos estava em um momento crucial do seu terceiro ano.

Não importava o quão sobrecarregada estivesse no trabalho, Patrícia Lacerda fazia questão de supervisionar pessoalmente tudo relacionado a Talita Santos, inclusive as refeições.

— Sim, senhora. — Joana respondeu com respeito, de pé diante dela.

— O médico deve enviar os relatórios de avaliação física sempre no prazo. Talita passa muito tempo praticando piano, os pulsos dela não podem, de jeito nenhum, sofrer qualquer lesão profissional. E mais… — Pelo canto do olho, Patrícia Lacerda notou uma silhueta magra e alta; sua expressão fechou-se no mesmo instante.

A figura mexia no celular, passando com desdém por Patrícia e subindo as escadas sem pressa.

A raiva de Patrícia Lacerda subia como vapor. Não importava como ela tratasse Zoé Santos, ela ainda era a mãe de Zoé!

Zoé Santos, ainda tão jovem, com que direito podia ignorar a mãe que a trouxe ao mundo?

— Pare aí. — Patrícia chamou com frieza. Zoé seguiu como se nada ouvisse, subindo os degraus. O rosto de Patrícia ficou ainda mais tenso. — Zoé Santos!

A garota parou devagar no meio da escada, tirou um fone de ouvido, inclinou a cabeça e virou um pouco o rosto.

— Você, sendo estudante, chega em casa tão tarde, perambulando por aí sabe-se lá fazendo o quê! — Patrícia franziu as sobrancelhas e fixou o olhar nela. — Não tem um pingo de vergonha na cara!?

Zoé Santos semicerrava os olhos, um brilho perigoso e frio.

— Eu já não te avisei? Voltando para a família Santos, trate de abandonar todos esses maus hábitos, pare de envergonhar a família! Está surda, por acaso? — O rosto de Patrícia se contorcia, a voz era dura e implacável.

— O que tem aí na sua mão? E dentro dessa mala, o que tem? — Patrícia estreitou os olhos, nem se dando ao trabalho de ouvir resposta. — Eu já disse: a família Santos te recebeu de volta, deveria ser grata. Comporte-se e pare de trazer essas porcarias pra dentro de casa!

Nos olhos escuros de Zoé Santos, uma centelha de fúria surgiu silenciosa.

— Grata?

A garota devolveu com lentidão, de lado, o desenho das sobrancelhas marcado, cílios longos, o olhar afiado e gélido.

Ela soltou uma risada seca, a voz baixa e arrastada, carregada de sarcasmo.

Joana trouxe um chá de camomila, oferecendo-lhe com delicadeza.

— Por consideração ao patriarca, se ela se comportar e não te der problemas, não precisa se incomodar. Ela só ocupa o nome da família Santos, trate como se fosse invisível, não se desgaste.

— Eu até queria ignorá-la, mas ela faz questão de se colocar no meu caminho! — O peito de Patrícia subia e descia com força. — Olha só essa postura rebelde! Só passa vergonha!

Talita Santos, de roupa de balé, recostava-se na porta do estúdio de dança, no térreo. Inclinou a cabeça, olhando para o andar de cima, movimentando lentamente os punhos e tornozelos.

Depois de um tempo, mordeu os lábios, um leve sorriso no canto da boca.

Todos sabiam: em Lumiar… a maioria ali era formada por jovens que as famílias haviam desistido.

Gente que, com facilidade, trazia vergonha aos seus.

Zoé Santos, para ela, não tinha mais salvação.

Logo, Zoé entenderia claramente o abismo intransponível entre elas.

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