Após algumas trocas de palavras, um leve traço de hesitação brilhou no olhar frio de Zoé Santos.
Henrique Farias voltou a falar:
— Daqui a pouco te levo pra dar uma olhada no Palácio Aroma. Se não gostar, procuramos outro hotel, tudo bem?
Como não tinha nada urgente a fazer, Zoé Santos apenas assentiu, aceitando a sugestão.
Os dedos longos de Henrique Farias, que seguravam com firmeza o volante, relaxaram um pouco diante do aceno despretensioso da jovem.
Ao perceber seu próprio gesto, ele lançou um olhar para as próprias mãos.
Dois segundos depois, arqueou levemente a sobrancelha.
Por que estava tão nervoso?
...
Na porta do hotel, um grupo de pessoas permanecia paralisado.
— Então foi o Sr. Pedro Soares quem celebrou o aniversário da Zoé com a gente ontem no bar... Agora faz sentido ele ter aceitado, de repente, vir ao evento da família Santos — murmurou Fernando Duarte.
Todos se viraram de uma vez, espantados e incrédulos.
Samuel Castro não conseguia conceber que alguém como Pedro Soares tivesse feito questão de comemorar o aniversário de Zoé Santos — e ainda mais, que tivesse se misturado ao grupo de estudantes de Lumiar.
As pupilas de Thiago Santos se contraíram ao máximo.
— Ontem à noite? O aniversário particular que Bento Passos organizou pra Zoé, o Sr. Pedro também estava lá?
— Sim — confirmou Fernando Duarte com um aceno.
— Além do Sr. Pedro, quem mais foi? — Thiago Santos fixou o olhar nele.
— Aquele homem que agora há pouco levou a Zoé de carro, mas não sei quem ele é. Depois disso, não sei se chegou mais alguém. Saí cedo, não tenho certeza — respondeu Fernando Duarte, de propósito, acrescentando a última frase.
Hector Duarte lembrava perfeitamente que, na noite anterior, Vanessa Laranjeira tirara o filho do bar, contando-lhe satisfeita o que havia feito.
Ele não disse nada, apenas lançou um olhar frio para Vanessa Laranjeira.
Vanessa Laranjeira mordeu o lábio, constrangida, sem coragem de encarar Hector.
A mãe de Samuel Castro olhou para Patrícia Lacerda, surpresa:
— Patrícia Lacerda, vocês realmente não sabiam de nada disso?
Rubens Santos e Patrícia Lacerda, de fato, não sabiam.
Os dois, com expressões atônitas, se lembraram da maneira como sempre trataram Zoé Santos, sentindo-se tomados por uma mistura de sentimentos.
Sentiam-se até mesmo humilhados.
A preferência da família Santos por Talita era evidente.
Antes, nunca haviam enxergado problema nisso, colocando a culpa na falta de mérito de Zoé Santos.
Mas o que aconteceu naquele dia fez com que todo desprezo e insatisfação voltados para Zoé Santos se transformassem em verdadeiros tapas na própria cara.
A família Santos acabara de protagonizar uma grande vergonha.
Os dois se preparavam para sair.
— Vovô.
Talita Santos, até então silenciosa, interveio. Quando ambos se voltaram, ela hesitou antes de dizer:
— O diretor vai chegar a qualquer momento. Se o senhor e Thiago saírem agora, pode soar desrespeitoso.
Mal acabara de falar, um Audi preto se aproximou e parou diante do grupo.
Os alunos do Colégio Cidade H reconheceram de imediato o carro de Roberto Pereira.
Ao vê-lo, todos esqueceram suas preocupações e apressaram-se em sorrir para recebê-lo.
Roberto Pereira desceu do carro, e, vendo tanta gente, sorriu cordialmente:
— O que fazem todos aqui esperando?
Antes de ir para Cidade R, Roberto Pereira havia trabalhado na Segurança Pública da Capital, ocupando um cargo muito mais alto que João Passos ou Carlos Costa.
O círculo de famílias tradicionais de Cidade R nunca entendeu por que ele pedira transferência para ser diretor de um colégio local.
Mas, ali, todos eram experientes o suficiente para saber que, em certos assuntos, o melhor é fingir que nada sabem.
A sequência de cumprimentos começou.
Carlos Costa comentou, sorrindo:
— Estes jovens todos se formaram no Colégio Cidade H. Ao saberem de sua chegada, vieram recebê-lo pessoalmente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...