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Zoé Santos:A Fênix de Cidade R romance Capítulo 109

Patrícia Lacerda mal podia acreditar no que acabara de ouvir. Piscou, atônita, como se sua mente recusasse a processar as palavras.

— Diretor Felipe, o senhor pode repetir o que disse?

Todos os olhares se voltaram para Felipe Batista.

Tina sorriu levemente antes de falar, sua voz era pausada e cristalina.

— Diante dos fatos, permitam-me apresentar a senhorita Zoé Santos, a nossa designer de joias do mais alto prestígio na Vca, conhecida internamente como “W” — a deusa da casa. Foi das mãos dela que nasceram incontáveis joias de valor inestimável.

Ela então voltou-se para Antônia Costa.

— Por exemplo, o conjunto de esmeraldas que a Srta. Costa exibe hoje, avaliado em oitenta milhões, foi inteiramente criado por Zoé Santos.

O rosto de Antônia Costa foi perdendo cor aos poucos.

As pedras cravejadas nela pareciam, de repente, frias lâminas de faca, tocando sua pele, trazendo-lhe um calafrio que a deixou trêmula.

Zoé Santos… era a “W” da Vca…

Entre famílias tradicionais, nunca faltam antiguidades, joias preciosas e marcas de luxo cercando todos os ambientes.

Quem, no meio social, não conhecia o nome da misteriosa e genial designer “W” da Vca, tão admirada e rara de se ver?

O domínio da Vca entre as maiores joalherias dos últimos anos se devia, sobretudo, à existência dessa criadora consagrada.

Não era só dentro da Vca que “W” era tratada como uma divindade.

Todos os setores da alta sociedade se rendiam ao fascínio de suas criações.

Percebendo a dimensão da pessoa que havia ofendido, Antônia Costa ficou tomada pelo pânico.

— Tina, eu… — Antônia abriu a boca, mas a voz lhe saiu fraca e inútil.

Tina, porém, a interrompeu, mantendo sempre o sorriso cortês.

— Acredito que o que a Srta. Costa chamou de esmeralda “arrancada” da joia danificada foi, na verdade, a mesma pedra bruta que enviamos ontem e que foi recebida e assinada esta manhã pela Srta. Zoé Santos.

Apesar da suavidade da voz, o impacto era cortante.

Os olhos de Antônia Costa tremularam, o terror subiu-lhe dos ossos até a cabeça.

— Srta. Costa…

Nesse momento, uma voz masculina, um tanto nervosa, ecoou da porta.

Todos se voltaram para o jovem, que ficou ainda mais apreensivo.

Ele era do meio artístico, habituado a lidar com marcas de luxo e joalherias. Bastou um olhar para notar que todos ali tinham posições de destaque.

Tímido, estendeu a mão — nela, um brinco de esmeralda, sozinho.

— Deve ter caído no meu estojo enquanto eu fazia sua maquiagem.

O silêncio tomou conta do camarim.

— E agora, onde estão todos que até agora falavam tanto? Ficaram mudos?

— Assim que entrei, já estavam dizendo que a Zoé roubou suas joias. Repeti que não era verdade, mas vocês parecem ter a cabeça só para enfeite. Se o cérebro não funciona, deixem de molho no desinfetante. — Bento Passos foi impiedoso.

O grupo, tão altivo instantes atrás, agora não conseguia erguer o olhar.

Sr. José suspirou profundamente.

— Zoé, minha neta…

— Achei que o senhor, ao chegar, ao menos perguntaria minha versão do que aconteceu — disse Zoé Santos, com um meio sorriso frio, seus olhos negros distantes —. Mas tanto faz.

Ela nunca desejara voltar para a família Santos; foi Yasmim Castro quem insistiu para que voltasse.

Yasmim achava que, se Zoé tivesse crescido numa família rica, tudo teria sido mais fácil, que sua vida seria tranquila, sem contratempos, e sua saúde jamais teria se deteriorado assim.

As pessoas sempre idealizam o caminho que não trilharam.

Então, por alguns dias, Zoé resolveu mostrar a Yasmim como seria.

Sr. José percebeu.

Zoé Santos era rebelde, de temperamento explosivo, nunca agradava Rubens Santos ou Patrícia Lacerda.

Mas, mesmo depois de voltar à família Santos, ela sempre obedecera ao avô.

Agora, porém, o olhar da menina era inteiramente frio.

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