"Poof—" Roberto cuspiu mais uma vez uma boca cheia de sangue.
Devido ao excesso de sangue em sua garganta, ele engasgou e começou a tossir violentamente, mas seus olhos ainda exibiam um sorriso insano:
"Você acha que, naquela noite, houve um momento em que ela pensou que eu era você?"
Ezequiel, ao ouvir isso, teve suas pupilas contraídas e estava prestes a agir.
Mas ao seu lado, Belmiro permaneceu com uma expressão serena.
Ele disse calmamente: "Já falou o bastante?"
Roberto ainda sorria, mas seu corpo começou a convulsionar.
O veneno que ele mantinha escondido entre os dentes finalmente foi usado hoje.
"Ela não teve coragem de te contar, e esse segredo será enterrado comigo..."
Roberto não terminou a frase, mas as palavras restantes já não conseguiam ser expressas.
Na cama, Davi, que até então estava imóvel, finalmente reagiu.
Ele lutou para se levantar, com raiva e arrependimento nos olhos: "Chega! Roberto, vocês são irmãos de sangue!"
"Hoho—" Roberto soltou um riso baixo da garganta, como um fole rasgado, e olhou fixamente para Belmiro, com um olhar cheio de ressentimento, ciúme, ódio e uma sensação de libertação.
No entanto, todos os seus sorrisos cessaram com as palavras de Belmiro.
Belmiro disse: "Sabe por que eu não me importo? Primeiro, eu confio nela. Segundo, mesmo que algo tenha acontecido, ela foi a vítima."
"Mas o mais importante, Roberto, é que agora você parece um bobo da corte!"
Dizendo isso, Belmiro pegou o celular e reproduziu o áudio da vigilância de Bela.
Roberto ouviu, incrédulo, com veias inchadas e olhos vermelhos.
Belmiro, entretanto, virou-se e voltou com uma seringa, injetando-a no pescoço de Roberto.
"Eu não vou deixar você morrer tão rápido." Belmiro deu um tapinha no rosto de Roberto:
"Pelo menos, não até que a enzima dissolvente tenha efeito total. Se você vai morrer, que morra com o seu próprio rosto!"
Roberto estendeu a mão, agarrando firmemente a barra da roupa de Belmiro.
Mas Belmiro não deu atenção, ao invés disso, tirou do bolso um rosário de contas que antes pertencia a Roberto.
Roberto olhou para o rosário, suas pupilas se contraíram.
Ele não sabia o que sentir naquele momento.
Só se lembrava de quando sua mãe lhe entregou o rosário, dizendo que ao olhar para as 108 imagens de Buda que simbolizam compaixão, ele deveria aprender a perdoar os outros e a si mesmo.

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