Belmiro disse: “Ela ainda precisa de tratamento por um tempo, mas já não há mais perigo.”
Os dois finalmente se acalmaram, murmurando: “Graças a Deus, todos estão bem agora. Vamos então cumprir nossa promessa!”
Na parte da tarde, após receber a infusão, Belmiro encontrou-se com Ezequiel e juntos foram para o porão da mansão.
No porão havia duas camas de molas, além de uma mesa e duas cadeiras.
Ao ouvir o barulho, Davi Sousa, que estava deitado em uma das camas, não se mexeu, mantendo o olhar vazio.
Roberto, por outro lado, virou-se para olhar.
Assim como ele havia previsto, Belmiro estava lá, acompanhado pelo Ezequiel, que nem o veneno conseguiu matar.
Roberto estava recostado em uma cadeira; o ombro perfurado por uma bala tinha sido tratado, mas apenas o suficiente para mantê-lo vivo, e agora ele não conseguia mover o braço.
“Vieram ver o quão miserável estou?” Roberto deu um sorriso frio, enquanto a dor no ombro continuava a atormentar seus nervos, com seus olhos cheios de rancor e ódio.
Belmiro olhou para o rosto de Roberto, que era nove décimos semelhante ao seu, e então virou-se para Ezequiel: “O médico que chamamos já chegou?”
Ezequiel assentiu.
Logo, um cirurgião plástico entrou com uma maleta médica.
“O que vocês vão fazer?” Roberto perguntou, em tom de desconfiança.
Belmiro olhou para ele e disse calmamente: “Apenas ajudá-lo a recuperar sua aparência original.”
O médico já havia preparado o medicamento e se aproximou de Roberto.
“Saia!” Roberto levantou-se abruptamente, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, Ezequiel rapidamente prendeu seus braços e o forçou de volta à cadeira.
A dor no ombro atravessou seu corpo como um raio, fazendo com que o rosto de Roberto ficasse pálido e gotas de suor brotassem de sua testa.
O médico, inabalável, começou a examinar o rosto de Roberto, sabendo imediatamente onde os materiais de preenchimento haviam sido injetados.
Na cadeira, Roberto finalmente se recuperou da dor. Seus olhos estavam vermelhos, e seu rosto, inchado pelas enzimas dissolventes, agora era apenas sete ou oito partes semelhante ao de Belmiro.
O ferimento no ombro, que havia começado a sangrar novamente, não recebeu nenhuma atenção de Roberto. Em vez disso, ele se levantou lentamente e caminhou em direção a Belmiro.
Ezequiel estava prestes a impedi-lo, mas Belmiro sinalizou para que ele não o fizesse.
Roberto se aproximou de Belmiro.
Ele sorriu, com um olhar obcecado e insano em seus olhos, e falou calmamente: “Seu irmão Xavier Ribeira já lhe contou que naquele dia, quando veio te salvar, ele ligou várias vezes para Lavínia, mas ela nunca atendeu? Você sabe por quê?”
Belmiro olhou friamente para ele, sem nenhum traço de emoção.
Vendo isso, Roberto gritou: “Você sabe o quanto eu odeio essa sua atitude superior! Espero que, quando souber a verdade, ainda consiga manter essa postura!”
Logo depois, ele sorriu, enquanto o sangue escorria lentamente por entre seus dentes:
"Naquela noite, ela mesma preparou uma sopa para mim e me alimentou colherada por colherada. Meu coração se comoveu por ela, então à noite fui até o quarto dela. Quando Xavier ligou para que ela saísse, eu estava na cama dela..."

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