O rosto de Kadu Queiroz se encheu de constrangimento. Embora desprezasse Stella, o fato de estar fofocando pelas costas de uma mulher e ser pego em flagrante o deixou, no mínimo, embaraçado.
— O que você está fazendo aqui? — Fabrício levantou-se, franzindo a testa para Stella.-
O olhar de Stella era frio e repleto de escárnio. — Sou eu quem deveria te fazer essa pergunta, não é? Não era você que ia acompanhar a senhorita Sofia ao hospital? Como acabaram no bar?
Sofia olhou para Stella com um brilho de superioridade, mas, ao se levantar, assumiu uma feição cheia de culpa e tentou se explicar: — Foi o seguinte, nós originalmente...
— Não perguntei a você. — Stella olhou friamente para Sofia de rabo de olho. — Por acaso o Fabrício ficou mudo?!
— Conversaremos em casa sobre isso, não arme um escândalo aqui! — advertiu Fabrício em voz baixa.
Stella soltou um riso sarcástico. — Se eu realmente quisesse armar um escândalo, eu faria o seu nome, o da sua empresa e o da sua amada Sofia ficarem nos assuntos mais comentados por três dias. Você duvida disso?
O rosto de Fabrício mudou. Sua empresa havia acabado de ascender ao patamar de grandes marcas de luxo, e milhares de olhos estavam sobre ele; qualquer notícia negativa que surgisse naquele momento seria fatal.
Para piorar, Sofia Soares tinha acabado de retornar ao país para alavancar a carreira e não suportaria enfrentar escândalos.
— O que foi, ficou com pena? — Stella curvou os lábios de forma sarcástica.
Sem sequer olhar novamente para Fabrício, ela passou por ele até a mesa, serviu-se de uma taça de vinho, ergueu-a na direção de Kadu e declarou:
— Eu e o Sr. Kadu nos vimos apenas umas duas vezes na vida, e não imaginava que ele soubesse com tanta precisão sobre meus assuntos pessoais, isso realmente me emociona. Então, hoje, brindo a você.
Kadu sentia-se ao mesmo tempo culpado e confuso, mas aquela era a primeira vez que via Stella de tão perto. Ficou levemente paralisado, pensando consigo mesmo que não era à toa que Fabrício havia passado por cima da oposição de todos para casar com ela; de fato, apenas o rosto daquela mulher já valia a pena.
No segundo seguinte, no entanto, todo o copo de vinho gelado foi jogado diretamente em sua cara.
Todos ficaram perplexos. Kadu levantou-se lentamente, tomado pela fúria, apontou para Stella e esbravejou: — Você ficou louca, por acaso?!
Stella respondeu, imperturbável: — Se o Sr. Kadu não conseguir controlar sua língua da próxima vez, eu não jogarei apenas uma taça de vinho.
Nos olhos de Sofia, por sua vez, passou um rápido lampejo de satisfação.
Ao ver o punho se aproximar, Stella fechou a mão, pronta para desviar e fazer com que o agressor passasse de longo e caísse estatelado no chão.
Foi então que uma mão esguia, com juntas bem definidas e imensamente forte, surgiu, segurando firmemente o pulso de Kadu.
A multidão que antes assistia à confusão de camarote de repente ficou de pé, com os rostos chocados.
— Que filho da puta está se metendo?! Cuidado pra eu não quebrar sua cara também!
Sem perceber a reação apavorada das pessoas ao redor, Kadu começou a xingar. Ao virar a cabeça e ver quem havia chegado, a chama de sua arrogância apagou instantaneamente. Ele ficou tão aterrorizado que não conseguia nem formar frases completas.
— S... Sr. Barros!

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