— É com isso que está preocupada? — Virou-se abruptamente, com o rosto demonstrando raiva, a fazendo engolir em seco. — Acredite, você é a mais qualificada até então. Mas não consegue se manter firme e comportada. Na primeira oportunidade, me irrita. E sim, esse é o momento em que eu a demito. POR JUSTA CAUSA.
Ouvi-lo fez com que Mia também perdesse a noção dos fatos.
— Ótimo. Estou contente — mentiu, levantando o nariz. — O senhor é um homem arrogante e muito exigente. Trata a todos com desprezo e vive de mau-humor. Desculpe-me se estraguei a sua roupa ou se o café pode estar quente o suficiente para o machucar. — Pôs as mãos na cintura e o encarou, aproximando-se dele vagarosamente. — Apesar de tudo, posso suportar o senhor, só que duvido muito que encontre outra que possa suportá-lo por mais de um mês.
— Parece mesmo que você não se importa com o seu trabalho aqui — disse entre dentes.
— Muito pelo contrário, senhor — debochou. — Se eu não me importasse, não teria ficado calada por tanto tempo.
— Você calada? — Riu dela. — Eu deveria ter demitido você desde a primeira vez que abriu essa sua boca e me tratou como um qualquer.
— O senhor é especialista em como tratar as pessoas mal. Deveria, pelo menos, uma vez na vida, receber o mesmo tratamento. — Mia estava com tudo aquilo entalado e como não tinha mais emprego, não precisava ficar de boca fechada. — Gosta de usar as pessoas. Brinca com todos, inclusive com Vivian. A coitada sabe que tem uma namorada.
— Não que seja da sua conta, mas não tenho namorada.
— Não é o que todos dizem.
— Quem anda fofocando sobre mim, nos corredores? — Cerrou os olhos, se aproximando dela.
— Não se preocupe, senhor… Jackson — A forma como ela ditou as palavras o deixou ainda mais furioso. — Não contei e nunca vou contar, o que vi naquela noite. Espero que esteja feliz e que encontre alguém a sua altura.
— Saia da minha sala! — Apontou para a porta. — Agora!
— Que seja. — Bateu os pés. — Posso arranjar coisa melhor.
Ela saiu dali com raiva, frustrada e quase se desmanchando em lagrimas. Não que Taylor Jackson seja alguém importante para ela, só que Mia perdeu seu emprego, o primeiro em NY. Tudo isso por conta de um homem egocêntrico, que se sentiu no direito de remanejá-la apenas para torturá-la.
***
Mia não disse à Sadie o que havia acontecido depois que saiu da empresa. Não quis falar com ninguém. No entanto, como ela prometeu se encontrar no pub com ela, fui assim mesmo. Pensou que se bebesse muito, esqueceria o seu dia tempestuoso.
Era oito e meia da noite, o horário em que ela estaria saindo do trabalho depois de um dia cheio para reclamar do insuportável do seu chefe com a única amiga que ela fez desde que cheguei à cidade.
Todavia, ela estava há uma hora no pub de clima alto astral, onde tinha uma enorme estante de bebidas de diversos tipos, luzes, ambiente para jogos, mesas para conversas de fim de dia e paredes de madeira rústica. Ela pediu umas duas cervejas e passou os últimos minutos pensando no que faria para arrumar outro emprego antes que suas reservas acabassem.
Taylor Jackson era um babaca, idiota, arrogante e tudo de ruim que existisse no meio corporativo. Sim, ele era muito esperto, tinha diversas empresas e sabia onde investir ou atacar só para poder comprar alguma empresa e a alavancar depois. Mas nada disso valia se o homem era um idiota, insuportável. Era o que ela pensava.
No último mês, ela marcou uns três jantares dele com uma tal de Scarlet. A namorada, que não era nada, no final das contas.
Quem iria querer se relacionar com alguém como ele?

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