Mia
Trabalhar ao lado de Taylor estava sendo difícil. Ele era arrogante e sedutor ao mesmo tempo. Tinha vezes que chegava com a cara fechada, se comportava como um ditador, mas antes de ir embora, a olhava com chama nos olhos, fazendo com que Mia se tremesse toda.
Desde aquele dia, na sala de reuniões, ele não se atreveu a chegar tão perto dela, novamente. No entanto, não era necessário ele estar tão perto para perturbar ela.
Como já havia prometido a si mesma, ficou de boca calada e não o provocou. As semanas se passaram e ela fazia de tudo para permanecer naquele emprego.
— Me diz: como ele está hoje? — Sadie veio em sua direção cautelosa e discretamente, após olhar por cima dos ombros de Mia e ver o chefe digitando no seu computador portátil. — Ele já esbravejou ou só ficou calado?
— Por que a pergunta? — A ruiva franziu o cenho, desejando olhar na mesma direção que ela, só que isso chamaria a atenção dele. Ele sempre previa quando ela o encarava.
Mais do que odiar o seu chefe, ela se sentia atraída por ele, pelo seu olhar de lobo mau, pelo sorriso de canto de boca que a provocava e pela sua discreta maneira de a olhar dos pés à cabeça como se quisesse a tocar.
Sem falar nas lembranças que a própria tinha, de um momento em que ele e sua ex chefe protagonizaram, semanas atrás.
Às vezes Mia pensava estar enlouquecendo por conta desse homem.
— Se ele chegou disparando o verbo em cima de você, quer dizer que isso é muito ruim e que você não passa de hoje — ela contou, dessa vez a encarando. — Se ele fingiu que você não existia na presença dele, está salva.
Mia sorriu com o que disse. Sadie era uma ótima amiga, e naquelas últimas semanas as duas ficaram próximas. Quando chegou e a encontrou naquele escritório, pensou que fosse mais uma funcionária com o nariz arrebitado que desse em cima do chefe gostoso, porém foi um equívoco.
— Taylor não chegou de mau-humor, se é isso que quer saber — comentou, feliz, pensando mesmo que Mia estava a salvo. — Porém, ele nunca vai me tratar dignamente. Então não sei se fico feliz ou triste.
— Pelo menos vai ficar com o emprego — ela tentou a animar. — Além disso, você é a única que não o olha com medo. As outras viviam pisando em ovos com ele. Talvez ele goste disso em você.
— Acha que não piso em ovos para me manter no emprego? — Levantou a sobrancelha. — Apesar dos pesares, gosto de onde estou e tenho tentado me estabelecer em Nova York, por isso fico de bico fechado. Mas acredite: tenho tanto a dizer a ele, que até sinto minha língua formigar.
Ela riu discretamente. Depois olhou por cima dos seus ombros de novo e fechou a cara. Mia podia apostar que Taylor as observava.
— Tenho que ir — ela avisou, recostando-se da mesa na qual Mia trabalhava. — Hoje é o dia do pub, então vamos comemorar.
— Se eu fosse você, não ficaria tão empolgada — A ruiva alertou. — Tudo pode acontecer. E tenho certeza de que com minha habilidade de estragar as coisas, acabarei na rua no fim do dia.
— Não diga isso. — Ela tocou em seu braço com carinho. — Não quero passar mais um segundo sendo a substituta das secretárias dele. Posso acabar perdendo o meu emprego também — sussurrou.
Sadie saiu, a deixando com uma sensação estranha. Ela estava com medo de virar e o encarar. Às vezes ela pensava que Taylor sabia ler seus pensamentos e usava isso a seu favor. Seria muito vergonhoso ele saber tudo sobre ela, até mesmo da sua inexperiência com homens.
Mia não entendia por que pensava nisso. Voltou ao seu trabalho e evitou levantar o olhar, no entanto, sabia que ele não permaneceria a observando por muito tempo. Se fosse um teste, ela faria de tudo para passar nele.
O telefone sobre a sua mesa tocou. Era ele. A mulher sentiu como se seu coração fosse sair pela boca. Sadie estava certa: aquele era o dia da verdade. E mesmo estando confiante, eu me preocupava.
Ela entrou em sua sala, pronta para ouvir o de sempre, mas ele só a encarou, encostado em sua cabeira, com uma das mãos sobre a boca.

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