Mia
A ruiva não estava de bom humor, hoje. Depois de tudo e de se mudar para o apartamento de Sadie, ela precisava de um novo trabalho.
Uma das piores coisas, para ela, era sair e ir aquelas agências de empregos, pois no ramo corporativo, a competição, às vezes, não era justa.
Mesmo sendo bem apresentável e com um excelente currículo, as exigências e padrões estéticos derrubava algumas concorrentes.
Eu não queria ser como ele. O homem era detestável, mesmo que inteligente.
Ela levantou o rosto para tirar a expressão de morta dele, depois tomou um banho para acordar o corpo, e buscar roupa decente.
Ah, as roupas…
Mia odiava abrir o guarda-roupa e as ver nos cabides. Acredite, ela tentou devolvê-las e mandar um cheque, mas é claro que não tinha um valor que cobrisse os gastos. E, pior, ele disse que não queria nada que o fizesse se lembrar da “menina inconveniente”.
Ela evitava usá-las. Também não gostava de se lembrar dele. O que era controverso, pois muitas vezes se pegou parada no tempo, lembrando dos olhos e lábios de Taylor. Da sua voz perto do ouvido e da sensação gostosa que era sentir seu perfume.
Ela saiu do quarto usando um vestido simples, preto, de mangas curtas, e com os cabelos soltos, que iam até o pescoço. Mia não usava muita maquiagem, contudo colocou alguma coisa. Estava disputando uma vaga com mulheres bonitas, um requisito para a contratação. Algo muito injusto e hipócrita.
— Nossa! Você está… bonita — Sadie andava de um lado para o outro, quase que correndo, olhando as horas. Estava praticamente atrasada e justificava o seu desespero quando Mia se lembrava para quem trabalhava. — Desculpe. É que acordei tarde, e sabe como ele é.
— Sei sim — concordou. — Então… Quando sua substituta chega? — perguntou, curiosa.
— Esse é o problema: ele não pediu outra. — Mia se surpreendeu. Até parou no meio do caminho, com a xícara em que ela colocaria café. — Disse que não quer outra incompetente e que ele mesmo vai buscar uma secretária. — Ela parou antes de seguir para a porta. — Desculpa.
— Tudo bem. — Mia riu, pois sabia que ele havia falado mais coisas, mas a amiga não a diria. — Agora vá, ou escutará muito mais.
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