— Clarinha... — Asher chamou com a voz suave, quebrando o silêncio que preenchia o ambiente.
— Hm? — Clarice respondeu baixinho, com um tom cheio de ternura. Até mesmo seu olhar refletia essa doçura.
Asher estendeu a mão e, com delicadeza, ergueu o queixo dela.
— Clarinha, pode ser hoje? — Perguntou ele, enquanto seus olhos, cheios de afeto e cuidado, a envolviam.
Clarice ficou um pouco surpresa. Desviou o olhar e mordeu os lábios, hesitante.
Nos últimos três anos, Asher esteve sempre ao lado dela. Durante os períodos mais sombrios, quando sua depressão estava em seu auge, ele não saiu de perto dela nem por um minuto, temendo que ela pudesse fazer algo contra si mesma.
Foi pensando em Asher e em não querer vê-lo sofrer que ela aceitou fazer o tratamento. Por um ano inteiro, ela se dedicou à terapia e, finalmente, superou a depressão.
Sempre que se lembrava daquela época difícil, ela não podia evitar pensar: se não fosse por ele, ela provavelmente não estaria mais viva.
Ela era grata a Asher. Gostava dele. Mas, no fundo, sentia que seu coração, cheio de cicatrizes, e seu corpo, que ela via como imperfeito, não eram dignos de alguém tão incrível quanto ele.
Essa insegurança era o que a impedia de dar o próximo passo em seu relacionamento. E hoje, será que ela conseguiria superar essa barreira?
Ao ver que ela desviava o olhar, Asher sentiu uma pontada de decepção. Pelo visto, ainda não era o momento.
Ele não queria pressioná-la e logo suavizou a expressão, esboçando um sorriso tranquilo.
— Não se preocupe. Eu disse que não vou te forçar e vou esperar o dia em que você estiver pronta.
Se fosse antes, enquanto ainda estavam em Cidade F, ele tinha confiança de que com paciência, ela acabaria se abrindo para ele.
Mas agora que estavam em Londa e, com o encontro inesperado com Osvaldo, ele sabia que não demoraria para Sterling descobrir que Clarice estava ali.
Mesmo divorciados, Clarice e Sterling ainda tinham um elo inquebrável: um filho. E se Sterling não quisesse deixar Clarice partir?
Asher não tinha certeza de que poderia competir com ele.
— Está gostoso? — Perguntou ele, tentando desviar a atenção de Lorenzo.
Lorenzo, que tomava leite em pó três vezes ao dia, manhã, tarde e noite, pensou por um momento antes de responder com seriedade:
— Não é tão bom quanto a marca da outra vez. É muito doce.
Clarice, que já havia se recuperado, caminhou até os dois. Ao ouvir o comentário de Lorenzo, não conseguiu segurar o riso.
— Lorenzo, foi você que insistiu para comprar esse leite no supermercado! Eu tentei te convencer a não levar, mas você não quis ouvir. Agora, precisa terminar o que escolheu.
A tensão desapareceu, mas Clarice ainda sentia o olhar de Asher sobre ela, intenso e caloroso.
Lorenzo deu de ombros, colocou a mamadeira nas mãos de Asher e correu para os braços de Clarice.
— Mamãe, eu também quero um beijinho! — Disse ele, abraçando-a com força.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...