O olhar de Clarice tornou-se cada vez mais firme, como se dissesse: “Já que escolhi esse caminho, seguirei em frente, enfrentando todas as tempestades.”
Ela começou a estudar o prontuário com atenção minuciosa. Cada dado, cada relatório, era analisado com cuidado, sem deixar passar nenhum detalhe.
No escritório silencioso, apenas o som das teclas do teclado e o leve ruído das folhas sendo viradas preenchiam o ambiente. Esses pequenos sons se uniam como uma sinfonia sutil, mas poderosa, sobre a luta pela vida e a busca pela esperança.
Naquele ensolarado início de tarde, Clarice usava sua coragem e expertise para acender uma luz de esperança para a pequena vida que, em algum lugar distante, lutava para sobreviver.
Enquanto isso, Asher chegou em casa com Lorenzo. A casa parecia estranhamente vazia, como ele já esperava. Ele sabia que Clarice estava no escritório, mergulhada no trabalho.
Inclinando-se para Lorenzo, ele disse em tom baixo:
— Lorenzo, vá chamar sua mãe para descer e comer alguma coisa.
Lorenzo assentiu e correu escada acima, mas logo voltou, com um bico nos lábios.
— O que houve? E a mamãe? — Perguntou Asher, curioso.
Lorenzo balançou a cabeça, frustrado.
— Mamãe disse que não quer comer! Papai, agora é com você. Eu não consegui convencer.
Asher não conseguiu segurar o riso.
— Certo, é minha vez.
Ele caminhou até a porta do escritório. Colocou a mão na maçaneta, mas hesitou por um momento antes de abri-la. Quando girou a maçaneta, o leve rangido das dobradiças ecoou no ambiente silencioso, mas não foi suficiente para interromper a concentração de Clarice.
Dentro do cômodo, a luz suave criava uma atmosfera tranquila. A silhueta de Clarice, sentada à ampla mesa de trabalho, era delineada pela iluminação quente do abajur.
Clarice olhou para o prato, depois ergueu os olhos para Asher. Seus olhos começaram a ficar marejados.
— Desculpe por te preocupar. Eu só... Queria terminar logo o plano de tratamento dessa criança. — Sua voz carregava uma mistura de arrependimento e determinação.
Asher estendeu a mão e acariciou suavemente os cabelos dela. Seu gesto era cheio de ternura, mas também de preocupação genuína.
— Clarice, por mais importante que seja o trabalho, você precisa cuidar de si mesma. Olha só para você, está tão magra... — Ele a repreendeu levemente, mas seu tom era mais de cuidado do que de crítica.
Clarice sorriu, e seus olhos brilharam de gratidão. Lentamente, ela encostou a cabeça no ombro de Asher, deixando-se envolver por aquele momento de paz e conforto.
Naquele instante, o tempo parecia ter parado. Todo o cansaço e os pensamentos tumultuados pareciam ser levados embora pela brisa suave que entrava pela janela.
Era como se, naquele pequeno recorte da tarde, apenas existissem os dois. Dois corações unidos, compartilhando um momento de serenidade e força, enquanto protegiam não apenas seus sonhos, mas também o futuro que construíam juntos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...