Jaqueline observou Clarice subir as escadas e soltou um longo suspiro.
Clarice havia gerado gêmeos, mas perdeu um deles. Durante todos esses anos, Jaqueline não conseguia imaginar como a amiga conseguiu suportar tanta dor. Seu coração apertava só de pensar nisso.
Clarice chegou ao andar de cima e abriu lentamente a porta do quarto de Lorenzo.
No chão, sobre o tapete macio, estava o pequeno menino. Ele tinha uma postura concentrada, com um computador à sua frente. Na tela, linhas de códigos se destacavam.
Clarice não entrou imediatamente. Levantou a mão e bateu levemente na porta para anunciar sua presença.
Assim que ouviu o som, Lorenzo rapidamente fechou a tela do laptop e virou-se para ela. Seu rosto se iluminou com um sorriso inocente e encantador.
— Mamãe, você precisa de alguma coisa?
Clarice notou o leve desconforto no olhar dele, mas decidiu não comentar nada.
— Lilian nos convidou para almoçar. Arrume-se para sairmos. — Enquanto falava, seus olhos passaram casualmente pelo laptop no chão. O que será que ele estava fazendo antes de fechar a tela?
Lorenzo não hesitou. Ele se levantou num salto e correu até ela, jogando-se em seus braços. Ele ergueu o rosto para olhá-la com seus grandes olhos brilhantes, que pareciam estrelas no céu.
— Mamãe, eu te amo tanto, tanto!
Clarice riu suavemente, bagunçando os cabelos dele com carinho.
— Já te disse, Lorenzo, enquanto você não usar suas habilidades de hacker para prejudicar os outros, eu nunca vou ficar brava com você.
Aquele menino sabia exatamente como encantá-la. Sempre encontrava uma maneira de derreter seu coração com suas palavras doces.
— Não se preocupe, mamãe! Eu nunca faria algo assim! — Lorenzo respondeu com seriedade, batendo levemente no peito para reforçar sua promessa.
Na verdade, ele usava suas habilidades apenas para "corrigir" quem fazia coisas erradas.
— Eu confio em você! Agora vamos, está na hora de sairmos para almoçar.
— Mamãe, você é a melhor! — Lorenzo abraçou as pernas dela, encostando o rosto no tecido macio da roupa dela, em um gesto cheio de carinho.
Clarice não conseguiu resistir e o pegou no colo.
Por outro lado, nenhum jornal ou mídia jamais noticiou que Sterling tivesse se casado ou tivesse filhos.
Se Vanessa, sua filha, ainda estivesse viva, ela certamente se pareceria com Lorenzo.
Lorenzo inclinou a cabeça, pensativo, antes de responder:
— No começo, não tinha tanta certeza. Mas a mãe dela me confundiu com a filha. Por isso, agora eu tenho certeza de que somos muito parecidos!
Clarice ficou surpresa. Lorenzo tinha apenas três anos, mas falava de forma clara e lógica, como um adulto.
— Se a mãe dela te confundiu, então... — Ela murmurou, mas logo parou. Uma mãe nunca confundiria seu próprio filho, a menos que... Aquele filho não fosse realmente dela.
— Mas, mamãe, aquela mulher não era boa pessoa. Eu não gostei dela nem um pouco! — Lorenzo acrescentou, franzindo levemente a testa.
Clarice sentiu um desconforto crescer em seu peito e perguntou, ansiosa:
— O que você quer dizer com "não era boa pessoa"? Ela fez alguma coisa com você? Me conte tudo!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...