— Clarice, acabei de sair do tribunal. Corri para te ligar. Você já chegou em casa? — Lilian falou com um tom leve e descontraído.
— Já cheguei. Vamos almoçar juntas? — Clarice respondeu.
Anos atrás, quando forjou sua falsa morte ao fingir ter sido levada pelo mar, a primeira pessoa que ela procurou foi Lilian.
Clarice não podia aparecer pessoalmente no tribunal para o caso de Teresa, então confiou a tarefa a Lilian.
Lilian já trabalhava com ela há três anos, e Clarice sabia que ela era leal e jamais a trairia.
Foi com esse caso que Lilian ganhou notoriedade em Londa, conquistando de vez sua reputação como uma advogada brilhante.
Mais tarde, quando Clarice e Jaqueline abriram o escritório de advocacia, Lilian se juntou a elas.
Nos últimos três anos, o crescimento do escritório foi impressionante, e isso se devia em grande parte ao esforço e dedicação de Lilian.
Agora, Lilian era sócia do escritório, ganhando um salário anual de milhões.
— Abriu um restaurante super badalado em Londa. Está cheio de gente indo lá para experimentar. Ouvi dizer que as sobremesas são incríveis! O Lorenzo não adora doces? Que tal levarmos ele lá? O que você acha? — Lilian sugeriu, animada.
Com sua carreira, status e dinheiro consolidados, Lilian era grata pela confiança e pelas oportunidades que Clarice havia lhe dado. Por isso, ela sempre fazia questão de retribuir.
Clarice tinha voltado, e Lilian estava genuinamente feliz.
— Ótima ideia! — Clarice concordou. Ela não era exigente com comida, mas Lorenzo era. Ele era seletivo com o que comia, exceto doces, que ele amava.
Clarice não pôde evitar se lembrar de Sterling. Ele também adorava doces, mas, com medo de que ela o zoasse, ele sempre comia escondido.
Ela sabia disso, mas nunca o confrontou.
Agora, Lorenzo não só se parecia fisicamente com Sterling, mas até seus gostos eram iguais. Era impressionante.
— Vou reservar uma mesa. Vocês se arrumem com calma e me avisem quando estiverem prontos.
— Combinado! — Clarice respondeu antes de encerrar a ligação.
Se não fosse por Agnaldo, que apagou todos os rastros dela, Sterling provavelmente já a teria encontrado.
— Assim que recebi a notícia da sua morte, fui direto procurá-lo. Ele estava no hospital, abatido e sem energia. Eu bati nele, gritei, xinguei. Ele não revidou. Só disse que queria fazer negócios comigo. — Jaqueline lembrou-se, com os olhos distantes. Embora anos tivessem se passado, ela ainda sentia a pontada dolorosa no peito ao relembrar aqueles dias.
Felizmente, Clarice estava viva.
— Ter feito negócios com ele foi sua melhor escolha! — Clarice comentou, sorrindo. — Caso contrário, nossa empresa não teria crescido tão rápido.
Depois que firmaram a parceria com o Grupo Davis, Sterling fez questão de promover o estúdio de Clarice, atraindo várias empresas interessadas em trabalhar com ela.
Não era que os designs de Clarice fossem revolucionários; as empresas estavam, na verdade, interessadas na conexão com Sterling.
Jaqueline assentiu, sem discordar.
— Isso é verdade.
— Chega de falar do passado. Vou subir para ver o que Lorenzo está aprontando. — Clarice disse, levantando-se e caminhando em direção às escadas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...