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Um Vício Irresistível romance Capítulo 399

Jaqueline passou a mão no rosto para secar as lágrimas e olhou para a assistente.

— Estou pensando em vender o estúdio e ir embora daqui.

Clarice tinha partido. Sem ela, aquele lugar havia perdido qualquer resquício de conforto ou segurança. A cidade que antes era um lar agora não passava de um território cheio de recordações dolorosas. Jaqueline sabia que precisava recomeçar em outro lugar.

— O quê? Por quê? — A assistente arregalou os olhos, surpresa com a decisão repentina.

— Quero tentar viver em outra cidade.

— Mudar de cidade não vai resolver nada. Mais fácil mudar de mentalidade! Chefe, você leva a vida muito a sério.

Jaqueline sorriu de leve.

— Talvez você tenha razão.

Mas será que viver não exigia mesmo seriedade?

— Se você quer tanto mudar de lugar, por que não mantém o estúdio? Assim, se não se adaptar, pode voltar.

Jaqueline encarou a assistente por alguns segundos, pensativa. Uma ideia estranha passou por sua cabeça.

E se Clarinha não tivesse morrido? E se ela apenas tivesse ido para outra cidade? Talvez, um dia, ela voltasse.

— Chefe, por que está me olhando assim? — A assistente começou a se sentir desconfortável sob o olhar fixo de Jaqueline.

De repente, Jaqueline se levantou e a abraçou com força.

— Obrigada! — Disse ela, emocionada.

A assistente ficou sem entender nada. Antes que pudesse perguntar, Jaqueline já tinha soltado o abraço e saído do escritório.

Se Clarinha ainda estivesse viva, Jaqueline sabia que precisava continuar vivendo e trabalhando duro. Quando Clarinha voltasse, com seus filhos, ela teria condições de cuidar deles.

A assistente, ainda confusa, olhou para a mesa de escritório. Sobre ela, uma placa com o nome: Clarice Preston.

Isaac voltou para a empresa e foi direto ao escritório de Sterling.

Quando o viu, Sterling arqueou uma sobrancelha, esperando a resposta.

— E então?

O tom sonolento denunciava que ele havia sido acordado. Sua “vida noturna”, na verdade, era assistir séries dramáticas, especialmente aquelas cheias de clichês de romance com protagonistas excêntricos.

— Preciso que você descubra com quem Clarice falou ou se encontrou antes de morrer.

— Você nem amava ela. Qual a diferença se ela morreu ou não? Por que quer saber tanto? — Retrucou Osvaldo, soltando um bocejo. — Sterling, não vai me dizer que só percebeu que a amava agora que ela morreu?

Osvaldo riu baixinho, achando a situação absurda. Sterling, que teve Clarice ao seu lado por tanto tempo, nunca valorizou o que tinha. Agora, com a ausência dela, parecia estar despertando para algo que já não podia mais mudar.

— Descubra o que pedi e não me encha de perguntas! — A voz de Sterling saiu mais ríspida do que ele pretendia, enquanto um leve constrangimento passava por seu rosto.

— Tá bom, tá bom. Vou ver isso para você. — Respondeu Osvaldo, claramente divertido. Homens envergonhados eram sempre os mais difíceis de lidar.

Sterling desligou o telefone e passou a mão pela testa novamente, tentando organizar os próprios pensamentos. As palavras de Osvaldo ecoavam em sua mente.

Será que ele amava Clarice?

Não. Ele balançou a cabeça. Não era amor. Ele simplesmente não estava acostumado com a ausência dela.

Mas, mesmo repetindo isso para si, não conseguia ignorar o vazio que sentia, como se algo tivesse sido arrancado de dentro de si.

Na hora do almoço, Isaac apareceu no escritório com uma refeição pronta, mas Sterling nem tocou na comida. Ele só conseguia pensar na comida que Clarice costumava preparar. O sabor ainda estava vivo em sua memória, e ele sabia que nunca mais experimentaria algo igual.

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