Foi só naquele momento que Sterling finalmente compreendeu: durante os três anos em que Clarice foi sua esposa, ele havia sentido, pela primeira vez, o calor de um lar.
Mas, infelizmente, ele percebeu isso tarde demais.
Isaac entrou na sala para recolher os pratos e percebeu que quase nada da comida havia sido tocado. Ele lançou um breve olhar para Sterling, que estava sentado, de olhos fechados, como se estivesse descansando.
— O almoço não agradou? Quer que eu peça de outro restaurante amanhã? — Perguntou Isaac, intrigado. Normalmente, Sterling nunca reclamava da comida daquele lugar.
— Não precisa mais pedir comida. A partir de amanhã, eu vou almoçar no refeitório da empresa. — Respondeu Sterling, com a voz calma, mas distante.
Isaac ficou surpreso.
— No refeitório da empresa? Tem certeza?
Sterling sempre foi exigente com sua alimentação, preferindo pratos preparados por chefs renomados.
— Sim. Pode levar a comida embora.
Isaac começou a recolher os pratos, mas não resistiu a dar mais uma olhada em Sterling. Ele parecia tranquilo, mas algo em sua atitude estava diferente.
Isaac não conseguia entender o que estava acontecendo. Para ser sincero, nem Sterling sabia.
Na reunião naquela tarde, Sterling parecia completamente alheio. Os olhares questionadores dos executivos se voltaram para Isaac, mas ele também não tinha respostas.
Quando o expediente terminou, Sterling recebeu uma ligação de Osvaldo.
— Sterling, sinto muito, mas não consegui encontrar os registros de chamadas da sua ex-esposa. Os rastros dela no último dia simplesmente sumiram, como se ela nunca tivesse existido neste mundo! — Disse Osvaldo, com um tom levemente animado. — Se isso foi obra da sua ex-esposa, ela era realmente excepcional! E você, convivendo com ela por tanto tempo, nunca percebeu isso? Você é cego, meu amigo!
Sterling ficou em silêncio por um momento, surpreso. Ele se lembrou das palavras de um funcionário novato do setor de tecnologia, que comentou que o firewall da empresa sempre parecia ter uma proteção extra, quase como se alguém estivesse ajudando secretamente a defendê-lo contra ataques.
— Sr. Sterling, a irmã da Clarice está lá fora. O senhor quer vê-la?
Sterling estreitou os olhos e olhou pela janela para Beatriz, que estava parada do lado de fora. Após alguns segundos, ele respondeu com indiferença:
— Pergunte o que ela quer.
Ele se lembrou da vez em que levou a família Preston à falência em uma única noite. Desde então, nunca mais se preocupou com o que havia acontecido com os pais e a irmã de Clarice. Agora que Clarice estava morta, o que Beatriz queria?
Isaac soltou o cinto de segurança, abriu a porta e saiu do carro.
Assim que viu Isaac, Beatriz correu até ele, com o rosto tomado pela urgência.
— É verdade que minha irmã morreu? — Perguntou ela, sem rodeios, em um tom apressado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...