No dia seguinte, era sábado, e Cynthia finalmente pôde descansar um pouco.
Pela manhã, ela foi ao hospital visitar sua mãe.
No quarto, mãe e filha conversavam.
Após a quimioterapia, Daniela havia perdido todo o cabelo, então Cynthia tricotou um gorro para ela.
Cynthia pegou o gorro e perguntou com um sorriso:
— Mãe, o que acha deste gorro? Eu mesma tricotei, usando a técnica que você me ensinou.
Daniela havia emagrecido muito, e seu corpo esguio parecia frágil.
Mas ela estava de bom humor e, ao ver o gorro, ficou feliz como uma criança.
— Lindo, Cynthia é muito talentosa, sabe até tricotar gorros.
— Mãe, deixe-me colocar em você.
— Claro.
Ao ver a cabeça careca da mãe, os olhos de Cynthia se encheram de lágrimas, e ela quase chorou.
Não posso chorar.
Ela disse a si mesma; se a mãe a visse chorando, também começaria a chorar.
Cynthia colocou o gorro na mãe, segurou as lágrimas e disse com um sorriso:
— Este gorro é realmente lindo, não é à toa que fui eu quem fiz.
Daniela também sorriu.
— Rápido, me dê um espelho para eu ver como ficou lindo.
— Aqui, olhe. — Cynthia pegou o espelho.
Daniela olhou no espelho, e seu rosto se iluminou em um sorriso.
— É lindo, mãe adorou.
— Se gostou, eu tricoto mais alguns para você variar.
— Ótimo!
Cynthia sentou-se ao lado da cama, e Daniela segurou sua mão.
— Há alguns dias, a mãe do Anselmo veio me visitar no hospital.
Cynthia se surpreendeu.
— A Sra. Marques?
— Sim. — Disse Daniela. — Ela disse que ela e o pai de Anselmo sabem que vocês estão juntos e que eles apoiam totalmente o relacionamento.
Cynthia sorriu levemente.
— Sim, a Sra. Marques e o Sr. Machado são ótimos.
— A mãe do Anselmo conversou muito comigo. Ela disse que não é a mãe biológica dele, mas sempre o criou como se fosse seu próprio filho. Ela também disse que sempre gostou muito de você e está muito feliz por você estar com o Anselmo.
— Sim, a família do Anselmo gosta muito de mim. — Cynthia abraçou os ombros da mãe. — Então, não se preocupe comigo, estou muito bem.
Ela não percebeu que, não muito longe, alguém levantou um celular e tirou uma foto dela.
No dia seguinte, segunda-feira.
Cynthia, como de costume, foi até a copa com sua caneca, mas, ao chegar à porta, ouviu pessoas falando sobre ela.
— Finalmente entendi como a Cynthia conseguiu entrar na empresa. — Era a voz de Caio.
Outro homem perguntou:
— Como?
— Com um sugar daddy, é claro. — O tom de Caio era leviano.
Assim que Caio disse isso, Cynthia ligou o gravador de seu celular.
A porta estava entreaberta.
Caio e o outro homem estavam de costas para a porta, conversando.
Cynthia esticou o celular para dentro para gravar.
A voz surpresa do homem:
— O que você quer dizer? Você está dizendo que...
Caio:
— Exatamente, o tipo de "padrinho" que você está pensando. Ontem à tarde, fui encontrar minha namorada para fazermos compras, e adivinha o que eu vi?

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