Cynthia ficou lisonjeada e surpresa.
— Isso não é exagero demais? Tantos ternos sob medida só para uma entrevista?
Anselmo respondeu.
— O resto também é para você. O Grupo Machado tem um código de vestimenta para os funcionários; o traje profissional é obrigatório.
— Entendi. — Cynthia franziu os lábios. — Obrigada, Anselmo.
O homem franziu a testa imperceptivelmente.
— Não precisa de formalidades.
Bruna deu um empurrãozinho em Cynthia.
— Somos uma família, não precisa agradecer. Vá escolher um que goste.
— Certo.
A arara tinha mais de vinte ternos, em cores como preto, café, branco-marfim, bege, cinza-escuro, cinza-claro, azul-nevoeiro, entre outros. Cada conjunto vinha com uma camisa social.
Cynthia examinou as opções e finalmente escolheu um clássico conjunto preto com uma camisa branca.
— Vou levar este.
Bruna assentiu.
— Esse fica ótimo, muito bom.
Cynthia pegou as roupas, subiu para o quarto para se trocar e depois desceu.
Os olhos de Bruna brilharam em admiração.
— Uau, Cynthia, você fica linda de terno. Com um pouco de maquiagem, ficará ainda mais bonita.
O terno, feito sob medida, tinha um caimento perfeito, e tanto o corte quanto o tecido eram de alta qualidade.
Ao vestir o terno, a aura de Cynthia mudou completamente. Ela perdeu o ar de inocência e ingenuidade, ganhando um toque de profissionalismo e elegância audaciosa.
Anselmo assentiu levemente.
— Nada mal.
— Este é o meu primeiro traje profissional. Obrig...
Cynthia estava prestes a dizer "obrigada", mas lembrou-se do que Anselmo disse sobre "formalidades" e se corrigiu.
— Anselmo, você foi muito atencioso.
— Certo. — O homem assentiu e fez um gesto para as pessoas ao lado.
Anselmo chamou um maquiador profissional para ela.
Uma maquiagem de trabalho bem natural, combinada com o terno preto que ela usava, realmente lhe dava a aparência de uma executiva de elite.
Às duas e dez, Cynthia saiu para caminhar até a estação de metrô.
Ela queria entrar no Grupo Machado por mérito próprio, então não podia deixar que o motorista da família Machado a levasse no carro de Anselmo.
Depois que Cynthia saiu.
Bruna perguntou a Anselmo com um sorriso.
— Irmão, você é tão bom para a Cynthia. Será que está apaixonado por ela?
Anselmo ergueu os olhos para ela, sem dizer uma palavra.
— Ah, mesmo que você não diga, eu já percebi. O jeito que você olha para a Cynthia é diferente de como olha para os outros.
A ponta dos dedos de Anselmo, que digitava um e-mail, parou.
— Onde é diferente?
Bruna pensou um pouco e respondeu.
— Quando você olha para os outros, seu rosto está sempre frio, seu olhar não tem calor. Mas quando você olha para a Cynthia, o gelo em seus olhos derrete.

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