Quando o beijo terminou, ambos estavam um pouco ofegantes.
— Certo, vá dormir agora. — A voz de Anselmo estava rouca, seus olhos ardendo de desejo.
Cynthia estabilizou a respiração e estendeu a mão para abrir a porta.
De repente, ela congelou no lugar.
— O que vocês estavam fazendo? — O olhar de Bruna era malicioso e curioso. — Eu sabia que você não podia estar dormindo tão cedo. Havia algo errado. Conte tudo!
— Você... como você ainda não foi embora... eu... — Cynthia gaguejou, seu rosto pequeno corando.
— Eu vi que a porta do quarto do meu irmão estava aberta e ele não estava lá. Fiquei um pouco desconfiada, e hum, parece que acertei.
Bruna a provocou com um sorriso.
— Eu sabia que havia algo entre vocês dois. Meu irmão é tão frio com todo mundo, mas daquela vez que você chegou tarde em casa, ele ficou tão preocupado e até saiu pessoalmente para te procurar. Eu percebi que algo estava diferente... e era isso...
Anselmo, de pé dentro do quarto, alto e imponente, já havia dissipado o desejo de seus olhos.
Ele retomou sua aparência fria habitual e disse simplesmente.
— Exatamente o que você está vendo.
Bruna ficou chocada.
— Vocês dois estão juntos?
Cynthia não sabia como responder.
Se dissesse que sim, ela e Anselmo nunca haviam tido um namoro de verdade, e a situação atual era inesperada.
Se dissesse que não, eles já eram um casal legalmente casado e tinham se tornado muito íntimos ultimamente.
Antes que ela pudesse decidir o que dizer, Anselmo respondeu por ela.
— Sim.
— =Quando vocês ficaram juntos? Por que não me contaram? Aaaah, estou chocada para o resto da vida!
Bruna gritou exageradamente, sacudindo os ombros de Cynthia.
— Nós não éramos melhores amigas? Por que você não me contou? Buáááá, estou magoada. Você escondeu uma coisa tão importante de mim!
Cynthia ficou tonta com o balanço.
Anselmo estendeu a mão e afastou a da irmã.
— Não a sacuda.
— Sim... — Cynthia parecia um pouco sem jeito.
Se Bruna sabia, isso significava que Miguel e Gabriela logo saberiam também.
E se eles não concordassem...
Bruna ponderou por um momento e disse, com ar de seriedade.
— Acho que meu irmão tem segundas intenções. Havia muitas maneiras de te ajudar, um empréstimo não seria mais fácil? Por que ele insistiu em casar?
Cynthia franziu os lábios.
— Anselmo disse que a família o estava pressionando para casar, e ele precisava de uma esposa.
— E você acreditou nisso? — Bruna riu. — Se meu irmão não quisesse, quem poderia forçá-lo? Lembra daquela vez que minha mãe arranjou um encontro para ele e ele simplesmente deixou a moça no meio da rua?
Enquanto falava, Bruna pareceu ter uma epifania.
— Naquela vez que arranjaram um encontro para o meu irmão, vocês já estavam casados?
— Sim.
— Eu sabia que algo parecia estranho. — Bruna entendeu tudo. — Agora faz sentido. Ele costumava vir para a filial de Horizonte Azul apenas uma vez por ano para inspeção, mas este ano, em apenas três meses, ele já veio duas vezes. Era tudo por sua causa.

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