Ela não se atrevia a pensar muito a respeito.
Anselmo ainda não sabia que, ao voltar para Porto do Sopro Solar, Gabriela arranjaria um encontro para ele.
Bruna, seguindo as instruções de Gabriela, não lhe contou nada.
A sede do Grupo Machado ficava em Porto do Sopro Solar, e Anselmo não podia permanecer em Horizonte Azul por muito tempo.
Uma pilha de assuntos o aguardava na matriz.
Cynthia desviou o olhar, e Anselmo, tendo terminado a ligação, caminhou na direção dela.
Passando por Cynthia, Anselmo disse apenas duas palavras.
— Estou indo.
Cynthia baixou os olhos, sem coragem de encará-lo, e sussurrou.
— Certo, boa viagem.
Bruna já havia se virado e estava na fila para o controle de segurança.
Anselmo, vendo que a irmã se afastara um pouco, tirou uma pequena caixa de veludo do bolso do sobretudo e a entregou a Cynthia.
— A aliança.
A respiração de Cynthia ficou suspensa, e seu coração disparou.
Anselmo falou com um tom neutro.
— Antes, eu vi que você estava preocupada com a doença da mãe, então não mencionei o anel.
Mãe...
Cynthia levou alguns segundos para entender que a "mãe" a quem Anselmo se referia era Daniela.
Embora estivessem casados há mais de um mês, ela ainda não havia se acostumado ao papel de Sra. Machado.
Anselmo disse "mãe" com tanta naturalidade que Cynthia ficou surpresa.
Ela se lembrou do dia em que se casaram, quando Anselmo perguntou quando tirariam as fotos de casamento, e ela respondeu que não estava com cabeça para isso.
Depois disso, não tiraram as fotos e não escolheram as alianças.
Cynthia havia se esquecido completamente da aliança.
Nesse momento, Bruna se virou e olhou para eles.
Cynthia, em pânico, guardou rapidamente a caixa do anel no bolso do casaco.
— Não... não é nada. — Ela gaguejou um pouco de nervosismo.
Um leve sorriso surgiu nos lábios de Anselmo, e ele estendeu a mão para afagar o cabelo de Cynthia.
— Eu não concordo. — Disse Paula, com o rosto sério. — Com a situação atual da família Duque, fazer Yadson se casar com a Carolina é empurrar nosso filho para o fogo!
Henrique tinha uma expressão sombria.
— O avô de Carolina, Eduardo, me fez um grande favor. Antes, eu não tinha como ajudar a família Duque. Agora que ele se foi, dar um bom futuro à sua neta é uma forma de retribuir. Você não gostava muito daquela moça, a Carolina? Por que agora se opõe?
Paula respondeu com raiva.
— A situação de antes era uma, a de agora é outra! É verdade que eu gostava da Carolina. A família Duque era de um status social semelhante ao nosso. Mas agora Gustavo está prestes a ser preso, e você ainda quer que nosso filho se case com ela?
Henrique também se irritou.
— Por que você é tão interesseira? Eduardo me ajudou imensamente. Não posso simplesmente abandonar sua única neta!
— Eu, interesseira? — Paula começou a rir. — Ótimo, ótimo! Henrique, você é mesmo muito bom em ser generoso com o que não é seu. Eduardo te ajudou, não a mim. Quando ele te ajudou, eu nem te conhecia. Se quer retribuir, faça você mesmo. O que significa usar a felicidade da vida do meu filho para pagar a sua dívida de gratidão?
O rosto de Henrique escureceu, e ele ficou sem palavras.
O que ela disse não estava errado.
Paula disse friamente.
— De qualquer forma, não vou concordar com este casamento.
Do lado de fora da porta, Carolina baixou o olhar, um brilho frio passando por seus olhos enquanto cerrava os punhos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos Desperdiçados em Troca da Verdadeira Felicidade