Cynthia e Bruna não se viam há três anos e meio.
No verão em que se formaram no ensino médio, Bruna tomou coragem para se declarar a Raulino Aragão, mas foi rejeitada e foi estudar no exterior.
Durante todos esses anos, ela nunca voltou para casa.
Cynthia sabia o quanto Bruna gostava de Raulino.
Porto do Sopro Solar era uma cidade de tristeza para Bruna, mas, felizmente, depois de quatro anos, ela finalmente teve a coragem de pisar novamente naquela cidade.
— Cynthia! — Os olhos de Bruna se iluminaram no instante em que viu Cynthia. — Você não disse que não viria me buscar no aeroporto?
— Minha mãe foi transferida para um hospital em Horizonte Azul, e como eu estava livre hoje, pensei em te fazer uma surpresa. — Os olhos de Cynthia se curvaram em um sorriso.
Anselmo não havia contado a Bruna que Cynthia iria buscá-la, justamente para fazer uma surpresa.
— Querida, eu senti tanto a sua falta! — Bruna abraçou Cynthia com força. — Faz mais de três anos que não nos vemos. A minha querida Cynthia está ainda mais bonita.
Cynthia sorriu.
— Você deve estar cansada depois de um voo tão longo.
— Voar é cansativo, mas assim que te vi, o cansaço desapareceu. — O sorriso de Bruna era tão radiante quanto antes. Ela entregou uma sacola a Cynthia. — Um presente para você.
— Obrigada. — Cynthia sorriu e pegou o presente.
De repente, a expressão de Bruna mudou. Ela olhou desconfiada para Anselmo e, em seguida, voltou seu olhar para Cynthia.
— Espera aí, por que vocês dois vieram juntos?
No caminho, Anselmo perguntou se deveria contar a Bruna sobre o casamento deles.
Cynthia hesitou.
Anselmo percebeu sua preocupação e disse que poderiam não contar a Bruna por enquanto.
Na verdade, a principal preocupação de Cynthia era a família Machado.
O Grupo Machado era uma das famílias mais ricas e proeminentes de Porto do Sopro Solar, e Anselmo era o presidente do Grupo Machado. Sua esposa deveria ser uma herdeira de uma família de status social compatível, não uma garota comum como ela.
Além disso, sua mãe estava gravemente doente, e o custo do tratamento era incerto, um poço sem fundo.
Embora esse dinheiro pudesse não ser nada para Anselmo, para Cynthia era uma quantia astronômica, suficiente para lhe causar um fardo psicológico.
Apesar de não se verem há mais de três anos, não havia nenhum estranhamento entre elas.
Bruna contou a Cynthia muitas histórias divertidas sobre sua vida no exterior.
Cynthia ouvia atentamente, com um leve sorriso nos lábios, comentando de vez em quando.
Quando Bruna se cansou de falar, abriu uma garrafa de água mineral e, depois de um gole, perguntou de repente:
— A propósito, como está entre você e aquele Yadson?
Anselmo se concentrou, ouvindo Cynthia dizer em voz baixa:
— Terminamos.
Embora ela ainda não tivesse dito a Yadson que havia terminado, para ela, o relacionamento já havia acabado unilateralmente.
Assim que entrasse no avião amanhã, ela bloquearia Yadson de todos os seus contatos.
— Quando isso aconteceu? Por que terminaram? Você não o amava muito? — Bruna disparou uma série de perguntas, como um verdadeiro "porquê".
Ao ouvir as palavras "o amava muito", os dedos de Anselmo se curvaram, e um brilho frio passou por seus olhos escuros como tinta.

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