Ao ouvir isso, Anselmo virou a cabeça levemente para olhá-la.
— E você?
Cynthia sorriu, com os olhos curvados.
— É claro que eu também achava você mais bonito. Afinal, eu era secretamente apaixonada por você naquela época.
Um traço de sorriso passou pelos lábios de Anselmo, fugaz.
— A Bruna gostava muito dele. Depois do ENEM, ela se declarou para o Raulino e foi rejeitada sem dó. Ela chorou a noite inteira, estava com o coração partido, dizendo que nunca mais acreditaria no amor, que nunca mais gostaria de ninguém.
Anselmo riu baixinho.
— Agora entendo por que ela insistiu em ir estudar no exterior. Foi por causa de uma desilusão amorosa.
Falando sobre isso, Cynthia suspirou.
— Eu pensei que a história dela com o Raulino não teria continuação. Não esperava que eles ficassem juntos quatro anos depois.
Ao dizer isso, Cynthia inclinou a cabeça e a apoiou no ombro de Anselmo, com um tom de voz suave.
— Nós também ficamos juntos. Que bom.
O motorista, ouvindo a conversa do presidente e de sua esposa, olhou de relance pelo espelho retrovisor e viu que os olhos do presidente, geralmente profundos e frios, estavam agora cheios de ternura.
A casa nas Residências do Bosque era a residência matrimonial que Anselmo comprara logo depois que se casaram.
Pouco tempo depois da compra, Cynthia acompanhou sua mãe a Horizonte Azul.
Para poder vê-la com frequência, Anselmo passava a maior parte do tempo em Horizonte Azul.
A casa nas Residências do Bosque ficou vazia, mas sempre havia alguém para fazer a limpeza regularmente.
Quando chegaram, a casa estava limpa e arrumada, mas sem um ar de lar.
A mansão era a melhor de todo o condomínio, com uma vista excelente e uma paisagem deslumbrante do rio.
Depois de tomar banho, Cynthia saiu e viu a porta do escritório de Anselmo aberta.
O homem estava lá dentro, sentado em frente ao notebook, trabalhando.

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