— Fui tomar um café com um amigo. — Cynthia disse vagamente.
Pensando que Gerson já havia pedido demissão e partido, e que eles não teriam mais contato, ela decidiu que era melhor evitar problemas e não mencionou que o café fora com ele.
Não era exatamente uma mentira; ela realmente foi tomar um café.
Anselmo caminhou alguns passos e sentou-se no sofá da sala, apagando o cigarro no cinzeiro sobre a mesa de centro.
O homem recostou-se e ergueu o olhar, encontrando os olhos ligeiramente culpados de Cynthia.
— Venha aqui.
Ele não perguntou com quem ela havia tomado café, e Cynthia sentiu um alívio.
Ela não tinha segundas intenções com Gerson; apenas foi esclarecer as coisas e se despedir.
Embora não houvesse nada entre eles, ela preferia que Anselmo não soubesse.
Quando Anselmo ficava com ciúmes, ele a provocava sem parar. A lembrança da última vez no Vale da Lua Verde ainda estava fresca em sua memória.
Cynthia se aproximou obedientemente, prestes a se sentar ao lado dele.
Anselmo estendeu a mão, puxando-a para seu colo.
O cheiro de tabaco no corpo do homem era mais forte do que o que pairava no ar.
Cynthia olhou para o cinzeiro na mesa de centro, onde havia cinco pontas de cigarro.
Ela não gostava do cheiro de fumaça, e Anselmo geralmente não fumava. O que havia acontecido hoje?
— Por que você fumou hoje?
Anselmo não respondeu, apenas ergueu o queixo dela com a mão.
Os lábios finos do homem estavam pressionados, seu rosto bonito e de traços marcantes tinha uma expressão fria. Sob os óculos de armação dourada, seus olhos eram afiados e amendoados, e o negrume de suas pupilas parecia carregar um toque de frieza.
Um único olhar foi suficiente para fazê-la sentir uma pressão avassaladora.
Cynthia engoliu em seco, seu coração batendo descontroladamente.

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