O leilão terminou.
Assim que Cynthia e Ivone saíram do salão, Elisa as alcançou, batendo seus saltos altíssimos com uma atitude agressiva.
— Ei, caipira, pare aí! — gritou Elisa.
Cynthia não se virou.
Ivone, no entanto, olhou para trás e disse a Cynthia, franzindo a testa:
— Senhora, aquela mulher de antes está vindo atrás de nós.
— Hum. — Cynthia sorriu, de bom humor. — Ela está furiosa.
Mal terminou de falar, Elisa parou na frente de Cynthia.
— Você fez aquilo de propósito, não foi? — Elisa disse com um ar arrogante e os olhos cheios de raiva. — Quem aumenta os lances desse jeito?
Cynthia sorriu, com seus belos olhos brilhando, e encarou Elisa.
— Eu aumento como eu quiser. Por acaso usei o seu dinheiro?
Ela disse isso com tanta confiança que Elisa ficou momentaneamente sem reação.
Ao se recuperar, Elisa elevou a voz ainda mais.
— Do que você está se gabando? Não está aqui apenas no lugar do seu chefe? O dinheiro nem é seu. Você é só uma empregadinha, uma Zé Ninguém, e já se acha uma ricaça?
Elisa cruzou os braços, com um olhar de desprezo, e mediu Cynthia da cabeça aos pés, bufando com desdém.
— Quem te disse que eu vim no lugar do meu chefe? — Cynthia olhou para Elisa, achando graça. — Não posso ter vindo por mim mesma?
— Você? Hahahahaha... — Elisa gargalhou, como se tivesse ouvido a piada mais engraçada do mundo.
— Você poderia trabalhar a vida inteira e não conseguiria comprar nem um banheiro em Horizonte Azul, e quer me fazer acreditar que pode comprar itens de leilão de milhões? Acha que eu sou idiota?
— Acredite no que quiser. — Cynthia sorriu, com os olhos curvados de alegria. — O fato é que eu peguei o que você queria. Está com raiva, não está?
Essas palavras foram como jogar gasolina no fogo.
Elisa, que já estava furiosa, explodiu como um ovo no micro-ondas.
— Você... — Elisa bateu o pé, irritada. — Que raiva, que raiva!
Cynthia sorriu, não se prolongou na discussão, abriu a porta do carro e entrou.
Pelo retrovisor, viu Elisa parada no mesmo lugar, enlouquecendo de raiva.
***
Assim que chegou em casa, o telefone de Anselmo tocou.
— Conseguiu o que queria?
A voz de Cynthia era alegre.
— Consegui tudo.

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