Ao ver Anselmo e Cynthia descendo as escadas de mãos dadas, Luciana sentiu o peito apertado, como se estivesse cheio de algodão encharcado.
Os lábios de Cynthia estavam vermelhos e brilhantes.
Luciana prendeu a respiração, sentindo como se um pedaço de seu coração tivesse sido arrancado, e desviou o olhar.
Camila, vendo o casal apaixonado, fez um bico.
— Precisam ficar de mãos dadas até dentro de casa?
Anselmo se aproximou da avó e sorriu.
— Qual o problema de um jovem casal andar de mãos dadas?
Camila bufou.
— Estou de saída.
Anselmo assentiu.
— Vou pedir ao motorista para levá-la.
Camila olhou para Cynthia com desaprovação.
Em seguida, virou-se para Luciana, e seu rosto se iluminou com um sorriso.
— Luciana, estou voltando para Porto do Sopro Solar. Você tem que vir à minha festa de aniversário, ouviu?
A expressão de Luciana se recompôs.
Com um leve sorriso, ela pegou o braço de Camila.
— Eu me lembrarei, vovó.
Camila deu um tapinha afetuoso na mão de Luciana.
— Vovó, eu a levo ao aeroporto. — Luciana disse, sorrindo, enquanto segurava o braço de Camila.
— Não vou te atrapalhar?
— De forma alguma. — A boca de Luciana era doce. — O que importa para a senhora é o mais importante para mim.
— Ótimo, ótimo. — Camila sorria de orelha a orelha. — A Luciana sim, é atenciosa, até me leva pessoalmente.
Dizendo isso, Camila lançou um olhar para Anselmo.
— Diferente de certas pessoas, que me despacham com um motorista.
O rosto de Anselmo permaneceu inexpressivo.
— Vovó, tenho uma videoconferência internacional daqui a pouco.
— Reunião a essa hora? Está tentando enganar a vovó, não é?
Anselmo respondeu com indiferença.
— Há um fuso horário. Lá ainda são três da tarde.
— Certo, certo. Vá cuidar dos seus assuntos. Ter a Luciana para me levar é o suficiente.

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