Após o jantar, Cynthia, pensando que a avó de Anselmo provavelmente queria conversar com ele, retirou-se discretamente, levando Daniela para descansar no andar de cima.
Na sala de estar, no andar de baixo.
Camila, vendo que Cynthia e Daniela haviam saído, chamou Anselmo.
— Anselmo, Luciana está trabalhando na filial de Horizonte Azul agora. Cuide bem dela.
O semblante de Anselmo estava frio.
— Ela é uma adulta. Precisa que eu cuide dela?
Ao ouvir isso, as unhas de Luciana cravaram-se na palma da mão, e seus lábios se comprimiram em uma linha reta.
O rosto de Camila mostrou descontentamento.
— Não se faça de desentendido. Você sabe muito bem do que estou falando.
— O Grupo Machado não sustenta ociosos. — A atitude de Anselmo permaneceu fria. — Se ela não for competente, agirei de acordo com as regras da empresa.
— Você é realmente inflexível. — A avó suspirou, impotente. — De qualquer forma, você e Luciana cresceram juntos. O que custa cuidar um pouco dela?
Vendo que a avó estava prestes a se irritar, Luciana disse, atenciosamente.
— Vovó, não se zangue. Anselmo está casado agora, ele tem uma esposa. Cuidar de mim seria inconveniente. Mesmo que Anselmo quisesse, Cynthia certamente não permitiria.
Essas palavras soaram compreensivas e elegantes, mas, pensando bem, era fácil perceber o significado mais profundo.
*Mesmo que Anselmo quisesse, Cynthia certamente não permitiria.*
Com uma frase tão leve, ela pintou Cynthia como uma pessoa mesquinha e ciumenta.
O olhar de Anselmo para Luciana parecia carregar farpas de gelo.
Ele disse, palavra por palavra, com clareza.
— Sou eu quem não quer. O que minha esposa tem a ver com isso?
Em seguida, Anselmo olhou para a avó, seu olhar ainda gelado.
— Além disso, Luciana e eu não crescemos juntos. No máximo, éramos vizinhos.
O sorriso de Luciana congelou, e ela não disse mais nada, constrangida.
O rosto de Camila estava sombrio.

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