— Faz tanto tempo que não vejo você sorrir — murmurou Sílvio.
Vitória Prado piscou, atônito por um breve instante.
Em seguida, ele repousou a mão sobre a cabeça de Sílvio, afagando os fios macios com um sorriso sutil. — Eu estou muito feliz. Estar com você me deixa feliz.
Sílvio abriu um sorriso largo. — Seu sorriso é o mais bonito de todos.
Dizendo isso, Sílvio abraçou Vitória Prado com força.
O garoto retribuiu, apertando Sílvio carinhosamente em seus braços.
A imagem das duas crianças aninhadas uma na outra foi observada de perto por Ada Assis e Noélia Barbosa.
O diálogo sincero entre os dois também não passou despercebido por elas.
Noélia trazia um cigarro entre os lábios, mas sequer havia se dado ao trabalho de acendê-lo.
Com o rosto tomado pela indignação, ela praguejou: — Isso tudo é culpa das atrocidades que o Fábio e a Carolina cometeram.
Ela então se virou para Ada. — Você tem certeza de que quer manter essa criança por perto? Afinal, ele é filho do Fábio. Não tem medo de que o Davis se sinta desconfortável? Ele é apenas uma criança agora, mas com uma origem tão obscura, e considerando tudo o que envolve o império da família Ravello, não há garantias de que eles o aceitarão no futuro.
— Além disso, você e o Davis são praticamente figuras públicas agora. A mídia está de olho, a alta sociedade também. Como você vai explicar o aparecimento repentino de um filho?
Ada suspirou, mas sua voz soou firme: — Eu não devo explicações a ninguém e não me importo com a opinião alheia. A única coisa que importa é a felicidade do meu filho.
Noélia claramente desaprovava a ideia de manter Vitória Prado com elas.
A origem daquele menino era complexa demais.
Além disso, ele tinha um temperamento excessivamente recluso.
Embora soubesse que a criança era inocente, ver aqueles traços tão semelhantes aos de Fábio Carvalho lhe causava um nó no estômago.
Ela simplesmente não conseguia engolir o fato de que alguém tão perturbada quanto Carolina havia usado métodos tão cruéis para conceber uma vida.
No fundo, Noélia sentia que o garoto reunia todos os elementos para se tornar um problema no futuro, uma verdadeira bomba-relógio.
Tinha medo de que, um dia, ele tentasse roubar tudo o que pertencia a Sílvio.
Hoje, Noélia vivia de forma livre e autêntica.
Ela quase havia esquecido o frio úmido de crescer sem o abraço dos pais, uma dor que montanhas de dinheiro jamais conseguiriam anestesiar.
E, no fim das contas, a situação de Vitória Prado não era tão diferente da dela naquela época.
Ambos carregavam origens marcadas por tragédias, vivendo à margem do afeto.
Os olhos de Noélia marejaram instantaneamente. Ela baixou a cabeça, sentindo o peso da culpa. — Você tem razão, Ada. Me desculpe. De agora em diante, vou tratá-lo com o mesmo amor que trato o Sílvio.
Ada sorriu, prestes a caminhar até as crianças.
Naquele momento, o mordomo se aproximou discretamente e sussurrou: — Senhora, há um homem lá fora. Ele se apresentou como Sr. Carvalho, o senhor Fábio Carvalho.
Ada não demonstrou surpresa. — Peça para ele entrar.
— Ele disse que prefere não entrar. Pediu que a senhora vá até ele, pois só precisa trocar duas palavras antes de partir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Surpresa! O Bonitão que Eu Mantinha era O Príncipe Herdeiro!
Que livro maravilhoso, estou adorando e ansiosa por mais capitulos. Parabéns!...
Que livro maravilhoso....Obrigada equipe...
Quando vai atualizar?...