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Surpresa! O Bonitão que Eu Mantinha era O Príncipe Herdeiro! romance Capítulo 1089

Diante de tamanha e acachapante fortuna.

Era impossível para a alma humana permanecer impassível e inerte.

Os olhos de Vinicius Cruz transbordavam um impacto profundo e silencioso.

Era, indubitavelmente, um tesouro colossal com poderio suficiente para comprar o mundo inteiro e ainda exigir troco.

Em contrapartida, as feições de Ada mantinham-se blindadas em um estoicismo absoluto.

Os seus neurônios fervilhavam com uma única obsessão: como resgatar os entes queridos e como escapar daquele túmulo brilhante.

Deveria aproveitar aquele instante em que a ganância cegava Eloy Lemos e liquidá-lo de vez?

Contudo, a realidade brutal a estapeava: mesmo que o eliminasse, ainda se encontravam a centenas de metros abaixo da superfície da terra, sem a menor esperança de salvação.

Afogada na angústia de seus pensamentos sem saída.

O seu olhar capturou subitamente uma anomalia em meio ao cenário dourado.

E um grito estridente rasgou o ar rarefeito, estilhaçando o silêncio fúnebre da câmara.

Vinicius, que se encontrava a escassos metros de distância, foi acionado pelo pânico.

Sem hesitar um segundo, disparou em disparada rumo à posição de Ada.

— O que aconteceu?

O semblante da jovem estava congelado pelo terror; a sombra do pânico ainda deformava suas feições.

Mas quando os olhos de Vinicius, finalmente, focaram no mesmo abismo que ela fitara.

Ele também sofreu um solavanco de horror no peito.

Mesmo assim, o instinto de proteção aflorou, fazendo-o postar-se qual um escudo à frente do corpo trêmulo de Ada.

O que provocara tamanho sobressalto era um macabro tapete de cadáveres empilhados.

Mais precisamente, os restos mortais haviam sido petrificados pelo tempo, reduzidos à condição de múmias retorcidas.

Era uma contagem imprecisa sob aquela luz fúnebre, contudo, a silhueta das carcaças mesclava corpos volumosos e figuras franzinas; homens, mulheres, e um contingente desolador de crianças. Incontáveis vidas sepultadas na escuridão.

Circundados pela riqueza absurda e oceânica do cofre, os infelizes haviam exalado os seus últimos suspiros abraçados ao próprio ouro.

Diversos cadáveres exibiam os punhos das adagas cravadas em seus troncos definhados.

Ironicamente, o solo e o cenário não apresentavam qualquer indício da caótica violência e devastação típica de embates mortais.

As vítimas repousavam com uma simetria enigmática e aterradora, alinhadas em uma ordem metódica de sacrifício.

O mais bizarro, porém, era que todos jaziam sob a cobertura farta das pedras preciosas, ornamentos extravagantes adornando cada mísero osso petrificado.

O ar carregava um misto sufocante de surrealismo e de horror absoluto.

— Então este é o amargo desfecho. Essa é a verdade que esteve sepultada em trevas! O Velho Senhor e o Mestre de fato não sujaram as mãos de sangue. Eles não dizimaram a família Lemos, pois, naquela noite de cinzas, as suas presas originais jamais sucumbiram!

As revelações chocaram violentamente o intelecto de Vinicius, abrindo fendas em sua compreensão.

Mas o turbilhão retórico de Ada embaralhara temporariamente os neurônios do homem, mergulhando-o num estado de perplexidade aguda.

— Mas do que exatamente você está falando?

— Acaso não lhe parece cristalino? Estes trinta e sete corpos amontoados sob estas joias pertencem, indiscutivelmente, aos membros genuínos da família Lemos!

Finalmente, a mente de Eloy Lemos pareceu absorver a enormidade do decreto pronunciado, despertando da inércia sádica.

O seu rosto desmoronou e foi substituído por uma máscara granítica e colérica, eclipsando de modo assombroso a fleuma aristocrática que outrora exibia. — Impossível. Isso seria uma aberração imperdoável.

— Se fossem mera corja de ladrões, como defende, por que diabo arrastariam tantos infantes para o perigo das profundezas? — Retrucou Ada, sem se intimidar.

O corpo de Eloy Lemos experimentou uma série de espasmos, as entranhas balbuciando num surto incontrolável de horror.

Ele desabou em um retrocesso frenético, trôpego e aturdido: — Mentirosa asquerosa! Ouse injuriar a memória sagrada da minha estirpe mais uma vez e garanto que a rasgarei em pedaços aqui mesmo!

Ada manteve-se firme, qual muralha irredutível.

— Por um mísero segundo, indague as incoerências de sua própria tragédia. As páginas sangrentas dos tablóides, aliadas às memórias fraturadas da sua própria infância, cravam a marca de trinta e oito vidas abrigadas no seu clã. As fogueiras cremaram exatos trinta e oito despojos no matadouro de sua família. Ora, e a sua existência, o que representa? Se a sua presença testemunha a sobrevivência de um, os restos calcinados na tragédia não deveriam, por imposição matemática, resultar em trinta e sete cadáveres?

Obviamente, o enigma macabro sondara os recessos de sua alma ao longo das décadas; contudo, a mentalidade frágil de uma criança traumatizada descartara o excesso cadavérico como uma anomalia perfeitamente inserida nas catástrofes — afinal, numa cremação desordenada, a carbonização de um vulto a mais passaria despercebida no amontoado de ossos.

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