Escutar aquelas palavras absurdas causou um reviravolta no estômago de Ada.
Como alguém com a alma tão putrefata de maldade ousava tecer elogios e cobiçar a honra e a justiça presentes em sua prole?
Haveria no mundo ironia mais macabra do que essa?
Eloy Lemos perdia-se em devaneios grandiosos: — Daqui por diante, não restará pedra sobre pedra do império das quatro famílias na Capital. Pelos próximos cem, mil anos, o mundo testemunhará a glória isolada e absoluta da linhagem dos Lemos.
Ali estava descortinada a ambição máxima de Eloy Lemos.
Ada estreitou os olhos, processando a informação: — Quer dizer, então, que a aniquilação de Davis nunca fez parte do seu plano?
— Ele é meu filho e carrega o sangue dos Lemos em suas veias. Seria inconcebível atentar contra a vida do meu próprio herdeiro.
— Ou seja, durante todos esses anos em que ele travou uma guerra sangrenta contra Vanessa Ravello e suportou tamanhas provações, o senhor assistiu a tudo de camarote?
— A dor e o sofrimento são os fertilizantes que forjam a excelência de um homem. — Respondeu ele, irredutível.
Ada sentiu as palavras lhe fugirem diante de tamanho cinismo.
Externamente, o sujeito exalava sofisticação, mantendo uma compostura polida e civilizada.
Contudo, o pântano de sua mente parecia revelar uma perversidade capaz de eclipsar, com facilidade, a insanidade de Vanessa Ravello.
Ao lado, Vinicius Cruz também mantinha-se resguardado em seu mutismo denso.
Inconformada, Ada sentiu necessidade de desferir um golpe na couraça de Vinicius: — Você empenhou a sua vida inteira e construiu um império com as próprias mãos, apenas para descobrir que estava bordando as vestes nupciais de outra pessoa.
O homem não moveu um músculo, absorvendo a provocação em completo silêncio.
Eloy Lemos não se abalou em momento algum com a tentativa óbvia de Ada de semear a discórdia.
Limitou-se a ordenar com frieza: — Abram o cofre de uma vez. As relíquias enterradas sob este solo há mais de um século anseiam, desesperadamente, pelo calor da luz do sol.
Apenas então Ada tomou consciência do seu entorno.
Diante deles, erguia-se uma porta de pedra maciça e majestosa.
Embora carregasse o peso de um século de isolamento em seu interior úmido.
O monumento não exibia qualquer vestígio de erosão ou desgaste imposto pelo tempo.
Cada entalhe, cada intricado padrão floral gravado em sua superfície, mantinha-se impecável e cristalino, como se tivesse acabado de ser moldado pelas mãos do artesão.
Na face do portal, repousavam quatro cavidades de formatos singulares.
Seus contornos correspondiam com exatidão aos símbolos encravados nas relíquias das quatro famílias.
Nas mãos de Vinicius Cruz, reluziam o Amuleto da Paz, herança da família Mendes, e a Marca do Dragão, pertencente à família Barbosa.
Já sob a guarda de Ada estavam o Cadeado de Jade, oriundo da família Guerra, e o Pingente de Jade Rosa, emblema da família Ravello.
Um após o outro, os objetos começaram a ser encaixados nos moldes de pedra.
O seu semblante, contudo, permanecia isento de qualquer deslumbre ou fascínio diante daquela maravilha; a riqueza monumental já era um cenário há muito consolidado em sua mente.
Ada acompanhou-o lentamente, imersa naquele santuário sagrado do luxo.
O espaço interior do mausoléu exibia um oceano áureo infinito.
Contudo, a opulência não se limitava ao metal. Lado a lado com o ouro, multiplicavam-se caixas transbordando de pedras raras, obras de arte inestimáveis e relíquias da antiguidade de uma beleza exótica.
Mesmo com o conhecimento limitado em numismática e artefatos seculares, Ada era capaz de identificar o absurdo que se apresentava à sua frente.
Vinicius, com seus olhos de apreciador e profundo conhecimento de leilões, entendia as cifras ocultas em cada objeto.
O olhar dele varreu as urnas apinhadas de relíquias e, com reverência, murmurou: — Todo este arsenal foi originado dos antigos enterros imperiais. Cada uma destas peças possui um valor capaz de financiar cidades inteiras.
Sem dúvida alguma, Ada estava acostumada ao luxo supremo; afinal, portava o título de Senhora na família do homem mais poderoso do império empresarial, e contudo, o espetáculo imposto diante dela ofuscava qualquer maravilha.
As suas próprias coleções de diamantes e safiras não eram poucas.
Todavia, a quantidade absurda de pedras preciosas, pérolas e esculturas de jade cintilando naquelas caixas ultrapassava as barreiras do irreal.
Tratava-se de preciosidades deslumbrantes, cuja pureza as credenciava a brilhar na elite das casas de leilão mais prestigiadas do planeta.
Não seria o menor eufemismo garantir que a soma das maravilhas ali presentes possuía um valor astronômico incontestável.
Eloy Lemos permitiu que uma gargalhada monstruosa reverberasse pelo cofre dourado: — Após um século inteiro de saques e avareza, o império acumulado pelas quatro famílias, em toda a sua glória, prostra-se finalmente aos pés dos Lemos. Eis o karma! A justiça sendo cobrada com a mesma moeda!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Surpresa! O Bonitão que Eu Mantinha era O Príncipe Herdeiro!
Que livro maravilhoso, estou adorando e ansiosa por mais capitulos. Parabéns!...
Que livro maravilhoso....Obrigada equipe...
Quando vai atualizar?...