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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 436

Vendo que Luana não abriu a boca, limitando-se a um leve tremor no olhar, ela silenciosamente pegou os talheres e levou um guioza à boca. Mastigou sem pressa, mas o vazio em seu interior fazia tudo ter gosto de cinzas.

Sebastião capturou cada movimento minúsculo dela. O pomo de adão subiu e desceu pesadamente. Por ter visto Dionísia ontem, ele sabia que o cheiro de perfume alheio poderia estar impregnado em si. O medo de que Luana notasse era tanto que ele sequer ousava invadir o espaço dela.

Percebendo a tensão engessada do pai, Sílvio o chamou:

— Pai, você não vai comer? Vem sentar aqui comigo!

Sebastião encarou o espaço livre ao lado de Sílvio. Seu desejo era se impor ali, mas... a hesitação falou mais alto. O lugar vazio ficava exatamente entre Sílvio e Luana.

Se ele fosse até lá, teria que passar rente ao corpo distante dela. Sebastião não estava disposto a gerar atritos desnecessários que a afastassem ainda mais em seu desespero silencioso.

— Eu... já comi.

— Luana, vou voltar à mansão principal. A Velha Senhora quer me ver.

Após dizer isso, com a expressão controlada, Sebastião permaneceu observando Luana em absoluto silêncio.

Sílvio deu uma risada, os olhinhos brilhando em dobras infantis:

— Luana, meu pai está esperando a sua permissão.

Sem se dar ao trabalho de erguer os olhos, Luana continuou sua refeição solitária. Depois de uma eternidade opressiva, murmurou uma única sílaba: — Vá.

Com o consentimento raso dela, Sebastião virou-se e partiu.

Luana olhou para trás, encarando o abismo vazio deixado na porta, e uma mistura intragável de sentimentos a sufocou, reduzindo sua serenidade a um tormento indescritível.

Ao chegar à Mansão Lemos, Sebastião foi direto para debaixo d'água. Esfregou a própria pele cinco vezes, até arrancar qualquer vestígio do odor de outra mulher, antes de sair do banheiro com os cabelos úmidos.

Zaqueu entrou:

— O senhor precisa ir ao pavilhão da Velha Senhora. Ela exigiu sua presença agora mesmo.

Sebastião descartou a toalha amarrada ao abdômen trincado, vestiu roupas imaculadas e, exalando um frescor dominador, saiu do quarto.

O Refúgio das Orquídeas estava enevoado pela fumaça espessa de um incenso de sândalo.

O aroma exalava por cada fresta e, misturado ao perfume das flores que invadia as janelas, projetava uma falsa tranquilidade espiritual.

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