Sebastião estava cético, mas sua racionalidade predatória sabia que ele não podia ofender Dionísia.
O corpo dela abrigava a medula de que Sílvio precisava desesperadamente.
Como se lesse os pensamentos dele, Dionísia suavizou a voz:
— Antônio, fique tranquilo. Vou cuidar muito bem de mim mesma. Agora não sou mais apenas uma pessoa; a medula no meu corpo precisa ser nutrida para o Sílvio. Fiquei sabendo que ele teve sangramento nasal, volte logo para ele. Nós nos falamos quando tiver tempo.
Após dizer isso, Dionísia virou-se e entrou no carro.
Sebastião pressionou a língua contra os molares, engolindo a fúria e o repúdio.
Passando a mão pelos cabelos com uma frustração obscura, ele ligou para Zaqueu:
— Investigue a Dra. Tatiana do Hospital Memorial. Além disso, rastreie cada passo da Dionísia e descubra que tipo de jogo ela está armando ultimamente. A Velha Senhora não pode descobrir.
Do outro lado da linha, Zaqueu sentiu a hostilidade predatória na voz de Sebastião.
Zaqueu respondeu:
— Entendido. Não se preocupe, não deixarei a Dionísia notar.
Se Dionísia percebesse a investigação, a Velha Senhora Lemos também ficaria sabendo naturalmente.
Antes que a Velha Senhora Lemos entregasse o controle absoluto do Grupo Lemos nas mãos de Sebastião, ele ainda precisava agir com cautela e respeitar a vontade da matriarca.
Na manhã seguinte, Sebastião entrou no quarto carregando caixas de café da manhã. O quarto estava vazio. Ele olhou para o banheiro e viu as duas figuras, uma grande e uma pequena, de costas, lavando o rosto diante do espelho da parede. O rosto dominante de Sebastião invadiu abruptamente o reflexo. Ao vê-lo, os olhos de Sílvio se curvaram em meias-luas e ele abriu a boca cheia de espuma branca:
— Pai, você chegou.
Vendo o filho excepcionalmente animado hoje, o coração de Sebastião sentiu um calor raro. O olhar dele se desviou para Luana, e naquele exato momento, o olhar apático dela também cruzou com o dele. Ele forçou um sorriso leve e ergueu o café da manhã:
— Comprei especialmente para vocês. Terminem de se lavar e venham comer.
Após falar, Sebastião virou-se para a beira da cama, abriu as tampas uma a uma e arrumou os talheres com precisão intocável.
Sílvio foi o primeiro a sair do banheiro. Ele arrastava sandálias grandes demais; seus pés minúsculos ocupavam apenas um canto do calçado, fazendo-o cambalear a cada passo.
Temendo que o menino caísse, Sebastião cruzou o espaço em segundos e ergueu Sílvio nos braços, acomodando-o na cama. As sandálias escorregaram sozinhas para o chão.
Luana secava o rosto, afastando os fios úmidos da têmpora, seu semblante refletindo uma paz fria e devastada.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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