O beijo de Sebastião veio avassalador, como se a saudade reprimida por tanto tempo transbordasse em um instante, deixando Luana sem qualquer defesa.
Luana lutou. Resistiu.
Com o aprofundar daquele beijo febril, Luana percebeu que não poderia escapar, então simplesmente parou de se mover. Seu corpo inerte e vazio tirou todo o sabor da posse de Sebastião, que parou abruptamente.
Ele fixou seu olhar gélido nela. No fundo de seus olhos havia arrependimento, frustração, dor, mas sobretudo uma profunda impotência.
Antes, ela era pura chama por ele.
Agora, era apenas um vazio glacial.
O contraste brutal rasgava o peito de Sebastião.
Se a pessoa não te ama mais, qualquer esforço parece cinzas espalhadas ao vento.
Ele deu um passo para trás.
Luana observou a figura dele vacilar, com os olhos desprovidos de qualquer calor ou brilho, envoltos em um vazio absoluto.
A decepção o consumiu. Ele deu as costas, afastando-se a passos trôpegos.
Naquela noite, Sebastião bebeu.
Quem o acompanhava era Dante Penha.
O licor forte desceu queimando. Com os olhos injetados de sangue e uma voz rouca, Sebastião questionou Dante:
— Quando Sílvio poderá ser operado?
Dante respondeu:
— Ainda não é certo. Encontramos uma doadora compatível para a medula de Sílvio, mas ela tem problemas de saúde e precisa de repouso por um tempo...
Sebastião o interrompeu com agressividade:
— Um tempo? Quanto tempo? Um ano, dois anos, ou mais?
Dante percebia que seu melhor amigo, desde que Luana chegara à Cidade do Trono, havia perdido completamente a paciência.
— É difícil dizer.
Mal Dante terminou de falar.
A mão de Sebastião avançou, agarrando o colarinho dele, emanando uma fúria opressora:
— Você é o melhor médico da Cidade do Trono. Por que não sabe me dar uma certeza? Me diga!
Dante soltou os dedos que estrangulavam suas roupas, exalando o ar com uma expressão de quem não queria brigar:
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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