Enquanto falava, a Velha Senhora não deixou de lançar um olhar incisivo para a barriga dela.
Luana ficou atônita.
Ela passara aquele tempo todo imaginando o que diabos Sebastião havia dito a Dona Lemos para fazê-la exigir uma audiência tão urgente.
Então, Sebastião havia forjado essa mentira colossal.
— Dona Lemos, eu não estou...
Antes que Luana pudesse terminar a frase, a Velha Senhora a cortou com frieza:
— Eu sei que o seu coração pertence a outro. E não me importo, nem quero me envolver nos dramas da juventude de vocês. Mas, independentemente das suas inclinações, a semente que carrega na barriga pertence à família Lemos. Enquanto eu respirar, jamais permitirei que o sangue da nossa família se perca pelo mundo afora.
A mensagem era clara e definitiva: a Velha Senhora exigia que Luana desse à luz.
— Eu não estou grávida! — Luana se desesperou, deixando as palavras escaparem.
A expressão da matriarca vacilou por um segundo, mas ela se recompôs imediatamente:
— Pretende fugir novamente, assim como fez cinco anos atrás?
— Em termos de linhagem, caráter e aparência, onde o nosso Sebastião não é digno de você?
O olhar da Velha Senhora era como flechas venenosas perfurando o coração de Luana. A pressão esmagadora a deixava sem ar.
— Sou eu quem não é digna de Antônio — disse Luana, segurando o próprio peito.
— Já que está grávida, você vai ter a criança. Depois que ela nascer, você pode ir para o inferno que quiser.
A Velha Senhora não desejava gastar mais saliva com ela.
Ao vê-la se erguer, os criados prontamente vieram ampará-la para fora da sala de jantar.
A cabeça de Luana latejava de forma insuportável.
Seu rosto estava enegrecido pela fúria.
Assim que Luana atravessou as portas do salão, deu de cara com Sebastião, que aparentemente a aguardava sob a sombra do beiral.
Com os braços cruzados, Sebastião notou a ira cega no rosto dela. Um sorriso sutil curvou os lábios dele. Caminhou até ela e segurou a mão dela de forma imponente.
Seus dedos longos escorregaram entre os de Luana, entrelaçando-os e apertando-os com força possessiva.
— Você...
— De onde você tirou que eu estou grávida?
O sorriso no canto da boca de Sebastião se aprofundou. Ele abaixou a cabeça e tomou-lhe a têmpora com um beijo demorado:

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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