O pomo de adão de Sebastião subiu e desceu. Seu coração falhou uma batida:
— Como quer vê-lo, então?
Luana sufocou o choro, a voz oca e distante:
— Quero tocá-lo. Quero beijá-lo. Quero comer com ele, dormir com ele. Sebastião, eu posso?
Ela implorou, quebrando sua própria armadura.
Incapaz de ignorar a tristeza devastadora nos olhos dela, Sebastião desviou o rosto, impondo sua dominância:
— Luana, deixar você vê-lo assim já é a minha maior concessão. Ele agora é meu filho. Você não tem mais qualquer direito sobre ele.
Luana agarrou o colarinho dele, a voz embargada pela emoção:
— Fui eu quem lhe deu a luz! Como assim não tenho direito?! Sebastião, você é arrogante demais, possessivo demais! Quero ver o Sílvio. Mande trazê-lo aqui para cima, ou eu chamo a polícia!
Sebastião permitiu que ela puxasse seu colarinho. Ao ver seu estado beirando a loucura, ele se arrependeu. Arrependeu-se de ter sido mole e tê-la trazido para ver o filho.
Vendo que ele continuava em silêncio, Luana virou-se para Zaqueu, que observava a cena atônito nas costas deles:
— Zaqueu, traga o Sílvio aqui para cima. Diga que a mãe dele chegou. Diga que quero vê-lo.
Zaqueu ficou sem reação.
Notando o semblante gélido de Sebastião, o motorista jamais ousaria obedecer a Luana.
Vendo-o paralisado ali, a ansiedade de Luana se transformou em fúria, e ela gritou:
— Zaqueu, anda logo!
Zaqueu sentiu uma vontade imensa de dizer: Senhorita Luana, quem manda no Grupo Lemos agora é o senhor Sebastião. Eu não posso, e não tenho coragem para isso.
Percebendo que Zaqueu não se moveria, Luana soltou Sebastião e virou-se, correndo em direção à saída.
Assim que ela alcançou a porta, Sebastião avançou em passos largos. Ele a puxou com brutalidade, prendendo-a contra o seu peito, possuindo seu espaço de forma absoluta.
Luana debateu-se violentamente.
Em meio ao desespero e à luta, ela acabou desferindo um tapa no rosto de Sebastião.
Zaqueu congelou de terror.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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