— Quer um?
No passado, ele era totalmente contra ela fumar.
E agora, oferecia-lhe um cigarro?
De fato, a mudança na relação altera tudo. — Parei.
Ela não havia parado. Disse isso apenas porque a súbita amargura em seu peito a deixava sufocada.
Sebastião não se importou. Abaixou a cabeça e estendeu a mão para limpar a cinza que caíra no pijama dela. Com medo de que caísse mais, trocou o cigarro para a mão direita. Virou o rosto, tragou, e a fumaça branca escapou por suas narinas. O olhar que ele lançou ao céu estrelado carregava uma dor profunda. Com a voz rouca, murmurou:
— Luana, por que chegamos a este ponto?
Sim, por quê?
O amor que ela sentira por ele antes fora tão ardente, como se não pudesse viver sem ele. Mas, após flertar com a vida e a morte, ela finalmente compreendeu: neste mundo, ninguém morre por falta de ninguém.
As feridas abertas representavam apenas o estado de espírito daquela época. Agora, tudo havia sido reduzido a cinzas, um vazio deixado no passado.
Respirando fundo, Luana se levantou:
— Estou com sono. É tarde. Vá descansar também.
Ela caminhou de volta para o próprio quarto.
Observando a mulher desaparecer de sua vista, lentamente.
O sorriso de Sebastião se contorceu, a amargura se espalhando rapidamente.
Na penumbra, era possível ver seus olhos levemente avermelhados. Ele a havia perdido. Como faria para recuperá-la?
Manhã seguinte.
Luana acordou com uma leve dor de cabeça.
Ao pensar que finalmente veria o filho, mal conseguiu conter a agitação interior. Ela se arrumou e, assim que saiu do quarto, levantou os olhos e deparou-se com a figura imponente do homem sob o beiral do telhado.
O homem ergueu os olhos e a fitou. Seu olhar gélido pousou no rosto dela. Deu alguns passos à frente e, notando as olheiras sutis, perguntou:
— Não dormiu bem?
— Mais ou menos.
Luana esboçou um sorriso pálido.
— Zaqueu já está esperando lá fora. Vamos.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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