Luana encarou a vermelhidão macabra e a aura de abate que emanava dos poros de Sebastião. Um frio cadavérico rastejou por sua espinha:
— Se transar com você for o pedágio para abraçar o meu filho, então me possua de uma vez. Eu não me importo.
Seria apenas mais um encontro na cama. O corpo dela já não abrigava segredos para aquele homem.
Desvendando a sujeira que passava pela mente da mulher, um riso diabólico cortou o rosto de Sebastião. O branco dos dentes brilhou num escárnio sombrio. Ele a soltou como se ela fosse lixo radioativo. Recuando um passo, assumiu a postura de um monarca inatingível. O olhar gélido perfurou o vazio na alma dela:
— Luana. Você, na sua mais pura ignorância, realmente acredita que o grande Sebastião se rastejaria por uma carcaça vazia como a sua?
Esmagada pela tirania do olhar dele, Luana abaixou a cabeça. O silêncio engoliu sua resposta.
A aceitação passiva dela foi a última pá de cal na esperança moribunda do homem.
— Suma da minha frente. E faça o favor de nunca mais cruzar o meu caminho.
A sentença estava decretada. A criança permaneceria intocável e o acordo comercial entre o Grupo Ramos e o Grupo Lemos fora reduzido a cinzas.
A alma de Luana mergulhou na desolação.
O peito pesava feito chumbo.
A certidão que os unia já havia virado poeira. O contato carnal não tinha mais lugar entre eles.
Ela marchou em direção ao corredor.
A madeira maciça bateu às suas costas com uma violência que fez a estrutura do prédio tremer.
Por uma fração de segundo, a batida não estilhaçou a sua coluna.
No térreo do complexo Jardins do Perfume, Vasco estava escorado na mureta de pedra, consumindo a brasa de um cigarro. Quando a silhueta frágil despontou em meio à névoa noturna, ele esmagou o filtro no chão e correu ao encontro de Luana:
— Onde infernos você estava? Alguém encostou um dedo em você?
Nos dois dias em que estivera fora, uma premonição sombria torturava a mente de Vasco. O pânico de perdê-la o estava consumindo vivo.
O olhar que Luana direcionou a ele não continha o menor traço de emoção:
— Vasco. Você tem ideia de onde eu vim agora?
Ele cerrou os dentes. O olhar paranoico aguardava a sentença.
— Eu fui ao encontro de Sebastião.
— Aquele verme voltou?
O choque paralisou os músculos faciais do homem.
Luana retrucou:

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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