Sebastião se recusava a acreditar que Eliana lhe faria mal, mas a realidade era que a irmã era uma aberração perigosa.
Luana pensou em voltar ao quarto, mas o orgulho a impedia.
Foi quando o celular tocou.
Era Benito.
Luana atendeu.
— Algum problema?
— Srta. Luana, o Sr. Sebastião solicitou sua presença no quarto. Ele tem assuntos de trabalho para tratar.
Ir ao quarto, não "voltar" ao quarto.
Era a forma de Sebastião lhe dar uma escada para descer do pedestal do orgulho.
Luana desligou.
Ao entrar novamente no quarto, o silêncio imperava.
Dante já não estava.
Na cama, Sebastião usava a mão livre do acesso para escrever algo com dificuldade.
Luana se aproximou, espiando discretamente.
Parecia um contrato rascunhado.
Sem Benito por perto, o grande CEO tinha que colocar a mão na massa.
Assim que terminou, ele jogou o papel sobre ela.
— Pegue. Encontre o responsável da Monte Azul e faça-o assinar. Aqui está o endereço.
Ele atirou o contato da Monte Azul para Luana.
Luana sabia que a Monte Azul da Irlanda tinha negócios com o Grupo Mendes, mas não imaginava que era verdade.
Conseguir uma parceria com eles elevaria o Grupo Amizade a outro patamar.
Ela recolheu o contrato e o cartão, olhando para Sebastião com apreensão.
— O senhor precisará fazer uma ligação antes. Eles não me conhecem, não vão assinar comigo.
Sebastião manteve os lábios selados.
Recostou a cabeça, fechando os olhos, recusando-se a interagir.
Luana fez um bico de insatisfação e saiu do quarto determinada.
Luana era extremamente eficiente.
Uma hora depois, voltou triunfante, colocando o contrato assinado pela Monte Azul diante de Sebastião.
— Sr. Sebastião, está feito.
A alegria genuína no rosto de Luana pareceu contagiar o ambiente.
Sebastião abriu os olhos e um leve sorriso tocou o canto de seus lábios.
Ele pegou o maço de cigarros, sacudiu um para fora e, quando ia levá-lo à boca, foi interceptado.
— Sr. Sebastião, se houver mais alguma coisa, pode mandar. Assim que terminarmos, voltamos para casa.
Ao ver a pressa de Luana em voltar, Sebastião pensou em Nuno e Sabrino em Port Fundo.
O gosto amargo voltou à boca.
Ele franziu o cenho, fingindo ponderar.
— Ainda tenho pendências. Precisaremos ficar mais uns dois dias...
Luana não fazia ideia do que ele estava tramando.
— Tudo bem. Viemos a trabalho, temos que resolver tudo antes de voltar, certo?
Nesse momento, Eliana entrou.
Ao ver Luana, o instinto assassino em seus olhos foi indisfarçável.
— O que você faz aqui? — perguntou ela.
Luana sorriu.
— E por que eu não estaria aqui?
— Sou convidada do Sr. Sebastião, Eliana.
Eliana olhou para Luana com um sorriso que escondia veneno.
— Você é mesmo uma carrapata. Meu irmão não consegue se livrar de você nem por um minuto.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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