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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 293

— Escuta, Sebastião... você estava morrendo de vontade que ela viesse — murmurou Dante, enquanto ajustava o equipamento.

— Ela aparece, e você a expulsa como um cachorro. Sinceramente, só você mesmo.

Sebastião não respondeu.

Seus lábios, apertados em uma linha fina, perderam a cor.

Ele fechou os olhos, a exaustão dominando suas feições.

A simples lembrança de que levou um tiro e quase morreu por Luana, e aquela mulher sem coração sequer queria visitá-lo, o consumia.

Quando acordou e recobrou a consciência, a decepção ao ver o rosto de Eliana em vez do de Luana foi um gosto amargo que ele não conseguia engolir.

Dante observava as microexpressões no rosto do amigo.

— Sebastião, não culpe a Eliana. O erro dela é te amar demais. Se é que amar é um erro.

Sebastião pareceu atingir o limite da paciência.

Abriu os olhos e fixou-os em Dante.

— Por todos esses anos, você sempre ficou do lado dela. Mesmo quando ela errava feio, você, Dante, nunca disse uma palavra contra.

Sua voz baixou, perigosa.

— Já que é assim, por que não se casou com ela?

Dante enfiou as mãos nos bolsos do jaleco branco, um sorriso ambíguo nos lábios.

— Sebastião, ela não faz meu tipo. Eu só tenho pena dela.

— Pena?

Sebastião soltou uma risada fria.

— O mundo está cheio de mulheres dignas de pena. Por que você só ajuda a ela?

Para ajudar Eliana, Dante chegou a romper com Sebastião no passado.

O afastamento de anos entre eles foi justamente porque Dante acusava Sebastião de ser insensível demais com a irmã.

A pergunta pareceu atingir um ponto nevrálgico.

Dante franziu a testa.

— Eu tenho um afeto especial por ela, sim. Mas é estritamente fraternal. Você é cruel demais com ela, Sebastião. Você não sabe...

Não sabia que ela cortou os pulsos por ele.

Naquela noite, se não fosse por Dante, Eliana seria apenas um cadáver.

— Esqueça.

Dante ponderou e decidiu não adicionar mais carga aos ombros do amigo.

Afinal, como o próprio Sebastião disse, ele não tinha responsabilidade de homem para mulher com Eliana.

Um por um.

Até não sobrar nenhum.

No andar de baixo, Luana caminhava e repassava a conversa.

De repente, arrependeu-se.

Por que ela foi provocar o Sebastião?

Ele tinha acabado de acordar, tinha levado um tiro por ela.

Justa ou injustamente, ela deveria ter cedido um pouco.

Primeiro, eles estavam ali a trabalho, na Irlanda.

Embora ela tivesse dito aquilo da boca para fora, sabia que Sebastião jamais a levaria até lá apenas para fazê-la assistir ao teatro dele com Eliana.

Segundo, ela queria contar sobre Stephen, Fernanda e Vanessa.

Mas...

Agora, com o clima pesado que ela mesma criou, como poderia falar?

Ele acreditaria nela?

Luana não sabia o que fazer.

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