Luana soltou um riso frio.
Ergueu uma sobrancelha fina:
— Não é esse o seu modus operandi de sempre?
Sebastião finalmente compreendeu a acusação.
O sorriso gélido nos olhos de Luana e o escárnio em seu rosto eram facas cortando seu coração.
Golpe após golpe, a dor era excruciante.
O vermelho começou a tomar conta de seus olhos profundos.
Ele agarrou os ombros de Luana, a voz tremendo de raiva contida:
— Repita isso.
Luana não queria brigar com Sebastião.
Aquilo não traria benefícios para o Grupo Amizade.
Mas o rancor pelo que ele fizera há cinco anos estava entalado em sua garganta.
Era um nó sufocante que a oprimia.
Ela tentara enterrar o passado, mas Sebastião não a deixava em paz.
Se ele não a deixava ir, ela não o deixaria sair impune.
— Posso repetir dez vezes, a verdade não muda.
— Sebastião, você é sempre assim.
— As regras se aplicam aos outros, mas nunca a você.
— Há cinco anos, você contratou uma mulher para seduzir o Nuno.
— Agora, arranjou essa tal de Helena para seduzir o Sabrino.
— Você acha mesmo isso?
A mão de Sebastião em seu ombro apertou com força, machucando.
— E não é?
— Eu já conheço bem os seus métodos, Sebastião.
A voz de Luana era demoníaca, ecoando nos ouvidos dele.
Causava uma dor física, neural.
Ele a encarou, os olhos ardendo como chamas.
No fundo daquela fúria, havia uma dor que se alastrava como um incêndio.
Ele abriu a boca, a voz soando como gelo quebrado:
— Cinco anos atrás, a mulher que foi atrás do Nuno fui eu quem mandou.
— Eu, Sebastião, assumo tudo o que faço.
— Não tenho medo de admitir meus pecados.
— Mas essa Helena... eu não conheço.
Mal ele terminou, Luana explodiu:
— Finalmente admitiu que destruiu a vida do Nuno!
— Você diz que não conhece essa Helena.
— Como posso acreditar em um criminoso reincidente?
— E mesmo que você não a conheça, isso não significa que o Benito não conheça.
— Ou que seus comparsas não conheçam.
Sebastião curvou os lábios num sorriso amargo.
— Você se refere ao João e os outros, certo?
Ele assentiu.
— Por isso, só quero te reconquistar.
— Quero trazer você de volta para mim.
De tudo o que ele disse, a atenção de Luana fixou-se apenas na frase 'O Sílvio não pode ficar sem mãe'.
— É verdade.
Luana sustentou o olhar dele.
O sorriso em seus olhos era a definição de ironia.
— Sílvio não pode ficar sem mãe, nem sem pai.
— A frase está correta.
Ela assentiu devagar.
— Só que... há cinco anos, você pensou nele?
O olhar de Luana parecia viajar para longe.
Cinco anos atrás, no parto de Sílvio, ela tivera um parto difícil.
Quase morrera.
Deitada na mesa de cirurgia, olhando para aquele pequeno ser em seus braços, ela não queria se separar dele.
Decidira fugir com a ajuda de Teresa.
Contratara advogados para lutar pela guarda.
Mas Sebastião mandara prender seu advogado.
Ele a forçara a voltar.
Porque ela queria dar ao filho uma família completa, ela escolhera voltar.
Mas, quando voltou... como ele a tratou?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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