As palavras de Sebastião foram como facas cegas revirando o coração de Luana, profundas e dolorosas, deixando feridas abertas.
Ela moveu os lábios trêmulos, a voz falhando:
— Eu claramente não morri. Você... por que disse a ele que eu morri?
Sebastião a olhou, o olhar profundo carregado de uma dor antiga:
— Luana, cinco anos atrás, você entrou naquele lugar com tanta determinação.
— Em certo sentido, você já o havia abandonado. E quanto a mim...
Sebastião fez uma pausa.
Ele lembrou-se dos dias em que Luana foi presa pela primeira vez.
Para ele, a palavra "sofrimento" não era suficiente para descrever o que sentiu.
— Nos últimos cinco anos, foi a Dona Ana quem cuidou dele.
De repente, Luana estremeceu, os lábios tremendo violentamente:
— Como você pôde não cuidar dele?
Sem mãe, se Sebastião não cuidasse dele, Sílvio seria praticamente órfão de pais vivos.
O coração de Luana sangrava.
Sebastião segurou o ombro dela.
O cigarro queimou seus dedos, mas ele não pareceu se importar.
Ele queria questioná-la: já que ela partiu sem olhar para trás há cinco anos, que direito tinha de querer ver a criança agora?
Mas ao olhar para os olhos de Luana, embaçados por uma névoa de lágrimas, o coração de Sebastião amoleceu.
Ele sentiu um aperto no peito e engoliu as palavras cruéis que estavam na garganta.
Com medo de que ela se preocupasse demais, explicou:
— Nesses anos, o Grupo Mendes expandiu muito os negócios, não tive tempo. Fique tranquila, minha mãe cuidou muito bem dele.
Ao ouvir as palavras de Sebastião, o desejo de Luana de ver o filho tornou-se ainda mais urgente.
Ela segurou a manga da camisa de Sebastião e puxou levemente:
— Marque um horário. Deixe-me vê-lo, por favor.
A voz dela era suave, impregnada de súplica.
Sebastião queria recusar, mas não conseguia ser cruel o suficiente.
Vendo a hesitação dele, Luana percebeu a preocupação e acrescentou apressadamente:
— Só olhar de longe também serve.
O olhar dele sobre ela era avaliador, as sobrancelhas levemente erguidas:
— Se eu brinco ou não com mulheres, a Senhorita Luana não tem mais o direito de opinar, tem?
Luana sentiu o peito apertar.
Eles estavam divorciados, ela não tinha direitos sobre ele.
Mas, independentemente de tudo, ela ainda era a mãe biológica de Sílvio; isso era um fato imutável.
— Se você não cuida do Sílvio, então devolva a criança para mim.
O pedido de Luana fez o sorriso no rosto de Sebastião desaparecer lentamente.
Ele a encarou, o olhar escuro, ardente e carregado de uma agressividade contida:
— Vai tentar roubar a criança de novo?
— Luana, cinco anos atrás você não tinha qualificação. Hoje, você continua sem qualificação para disputar a guarda comigo.
— Quer ver a criança? A menos que volte para mim. Caso contrário, sem chance.
Com a raiva transbordando, Sebastião parou de esconder o jogo.
Ele lançou a ameaça direta, algo que queria dizer há muito tempo.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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