— Papai.
Sebastião olhou para o filho e permaneceu em silêncio por um longo tempo.
Com medo de que o pai explodisse, Sílvio encolheu o pescoço, enroscou-se como uma pequena bola e levantou a mão, jurando obedientemente:
— Daqui para frente, não vou mais ver a namorada do Tio Plínio com ele.
Sebastião lembrou-se das palavras de Plínio, de que fora Sílvio quem insistira para ver a namorada.
Plínio também dissera que sua namorada era absurdamente pura.
De repente, o rosto de Luana surgiu na mente de Sebastião; o olhar límpido dela, os traços imaculados, limpa de uma forma quase irreal, exatamente como Plínio descrevera.
Uma curiosidade súbita sobre quem seria a namorada de Plínio invadiu Sebastião.
Ele perguntou a Sílvio:
— A namorada do seu tio é muito bonita?
— Linda demais. Eu vou competir com meu tio; hoje eu disse a ela para ser minha namorada, e parece que ela gostou da ideia.
Que absurdo era aquele?
A primeira reação de Sebastião ao ouvir as palavras de Sílvio foi pensar que Plínio estava corrompendo seu filho.
— Se sair com o Plínio de novo, eu quebro suas pernas.
Dito isso, Sebastião saiu do quarto, batendo a porta imaginária de sua paciência.
Sílvio fez uma careta para as costas do pai, tomou banho, escondeu-se debaixo das cobertas e discou novamente o número de Luana.
— Luana, meu pai é muito bravo, não quero mais ficar com ele.
Do outro lado, Luana estava limpando o lixo eletrônico de seu e-mail e, ao ouvir a voz manhosa de Sílvio, sentiu o coração derreter:
— Ele é seu pai, você tem que ficar com ele.
— Certo, vou dormir, tchau.
— Tá bom, boa noite, beijos.
O som do beijo de Sílvio no telefone foi estalado, e no segundo seguinte, o que restou nos ouvidos de Luana foi o som claro de ocupado.
No dia seguinte, Luana estava sentada no escritório e sentiu que a temperatura estava alta demais; ajustou o ar-condicionado, mas continuava sentindo um calor insuportável, até que decidiu desligá-lo.
Por causa do calor excessivo, ela tirou o blazer, revelando uma regata preta de alças finas; a roupa escura contra a pele branca, o rosto corado, os braços finos e a cintura marcada a deixavam com uma aparência extremamente sensual e cativante.
Ela sentia, de forma intangível, que havia um olhar ardente a espreitando.
Luana ergueu os olhos e fixou o olhar na parede de vidro lisa à sua frente, sentindo que algo estava errado; levantou-se, apoiou o queixo na mão e tocou a superfície fria com a ponta dos dedos pálidos, mas não havia nada de anormal.
Do outro lado, atrás do enorme vidro espelhado, a figura alta e imponente de um homem estava parada ali há muito tempo.
Com as mãos nos bolsos, seus olhos negros e profundos brilhavam intensamente, com o canto dos olhos carregados de uma obsessão doentia, fixos no rosto de Luana enquanto ela tocava a parede.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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