Eliana estendeu a mão e arrancou o cigarro dos lábios de Sebastião, atirando-o ao chão.
Sebastião, irritado, rosnou:
— Eliana.
— Veja só, você virou uma chaminé, o cigarro não sai da sua mão. O médico disse que o senhor não pode mais fumar.
Eliana baixou a cabeça para beijar Sebastião.
Sebastião fechou as mãos em torno do pescoço dela.
A garota parecia ter engolido uma pedra de teimosia; mesmo sendo sufocada, estava decidida a beijá-lo a qualquer custo.
Sebastião, furioso, a arremessou para longe.
Eliana caiu no chão.
Sebastião virou as costas e saiu do escritório.
Eliana levantou-se e correu atrás dele até o corredor.
Os olhares que a varriam de todos os lados fizeram-na diminuir o passo; afinal, publicamente, Sebastião ainda era seu irmão.
Quando ela chegou ao térreo, Sebastião já havia partido em seu Porsche Cayenne.
Eliana cerrou os punhos com tanta força que as unhas feriram a palma, e quase quebrou os dentes de tanto apertá-los.
Ela jurou que não largaria Sebastião tão facilmente.
João e Hélder receberam a ligação de Sebastião e correram para o Clube Nove Céus.
Nesse momento, os três estavam sentados na área VIP.
O sol poente entrava pela janela, lançando uma fina camada de luz sobre Sebastião.
A marca de batom em seu pomo de adão era nítida e gritante.
João, saboreando um vinho caríssimo, trocou um olhar com Hélder e provocou:
— Opa, Chefe, qual foi a gatinha que deixou essa marca em você? Que coragem... Será que ela não sabe que nosso Chefe vive em celibato?
Hélder também achou a situação suspeita.
Desde que Luana morreu, Sebastião nunca mais tocou em mulher nenhuma; hoje algo estava muito errado.
Sebastião manteve os lábios finos numa linha reta, sem dizer uma palavra.
Apenas virava copos de bebida, em um silêncio opressor.
Sempre que os chamava para sair, Sebastião preferia beber sua amargura sozinho.
Os dois amigos, já acostumados, faziam algumas piadas e iam procurar sua própria diversão.
Pouco depois, duas belezas puras entraram na cabine.
Ele baixou o olhar e viu o nome de Eliana piscando na tela.
Imediatamente, pressionou o botão de rejeitar e colocou o número na lista negra.
João e Hélder saíram com as mulheres e não voltaram mais.
Sebastião terminou a bebida na mesa, pegou o paletó, pendurou-o no braço e, após pagar a conta, dirigiu de volta para o Jardins do Perfume.
No Jardins do Perfume, o corredor estava iluminado apenas por duas pequenas lâmpadas.
Sob a luz fraca, a mansão parecia ainda mais gélida e deserta.
Uma solidão profunda brotou subitamente no fundo do coração de Sebastião.
Após a morte de Luana, ele pensava nela todas as noites.
E esta noite, com o álcool no sangue, a imagem de Luana em sua mente tornou-se insuportavelmente nítida.
A saudade dela era avassaladora.
De volta ao quarto, tirou o paletó e ficou no terraço, olhando para o céu estrelado, perdido em devaneios.
Depois de um longo tempo, ele pegou o gravador:
— Luana, você partiu há cinco anos.
— Esta noite eu bebi. Além de me anestesiar com trabalho e álcool, não sei que outra forma usar para parar de sentir sua falta...

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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