Sebastião afrouxou o nó da gravata e empurrou a porta do quarto.
Sempre sentia uma presença estranha ali, um sopro de vida que não deveria existir.
Ele percorreu o ambiente com o olhar, mas não encontrou vestígio algum.
Ao puxar a gravata para retirá-la completamente, levou a mão aos botões do punho da camisa.
De repente, um som sutil de tecido roçando chegou aos seus ouvidos.
Ele ergueu as pálpebras, levantou-se e caminhou em direção à varanda.
Estendeu a mão e puxou as cortinas de uma vez.
Aos seus pés, estava o rosto banhado em lágrimas de Teresa.
A empregada estava agachada no canto, tremendo enquanto o encarava com pavor.
— O que está fazendo aqui? — A voz de Sebastião carregava uma irritação latente.
— O senhor... — Teresa levantou-se, o corpo convulsionando de medo.
Ela lançou um olhar furtivo para a cama.
— Vim ver a menina... eu queria apenas...
Ao ouvir aquilo, a expressão de Sebastião escureceu de forma aterrorizante.
— Nem pense nisso.
— Saia.
Mas Teresa sentiu que, por Luana, deveria lutar até o último fôlego.
— O senhor, por favor... nesta vida, a menina já sofreu o suficiente, foi calculada e ferida pelo próprio pai.
— Saia. — Sebastião não tinha a menor intenção de ouvir as súplicas de uma serva.
Teresa ergueu-se, lançou um olhar doloroso para onde 'Luana' estaria e saiu enxugando as lágrimas.
Assim que desceu as escadas, ouviu Camila gritando com uma das criadas.
O motivo era fútil: uma tigela quebrada.
Mas Camila estava fora de si, chegando a agredir fisicamente a funcionária, cujo canto da boca sangrava.
A antiga Camila podia não ser uma santa, mas jamais perderia a compostura por algo tão pequeno.
Hoje, no entanto, a fúria vinha do luto e da humilhação.
O velho Sr. Mendes havia morrido, e ela fora expulsa da Família Mendes.
Quem aceitaria ver uma amante tomar o controle e ocupar o ninho que não lhe pertencia?
Suzana permanecia atrás dela, em silêncio absoluto, permitindo que a patroa descarregasse sua ira.
Camila, após demitir a empregada ferida, varreu o ambiente com os olhos e focou em Teresa.
Ao notar o comportamento furtivo da mulher, o desconforto cresceu em seu peito.
Afinal, Sebastião já havia declarado publicamente que a mulher de sua vida era Vanessa.
Com a morte dela, ele certamente estaria vivendo no inferno.
O mundo exterior começou a especular que Luana havia sido assassinada por Sebastião como vingança por sua amada.
Claro, eram apenas conjecturas, sem nenhuma prova concreta.
Fausto e Luís, ao verem a notícia, praguejaram, chamando Sebastião de maníaco doentio.
Eles chamaram Nuno para sair.
Os três bebiam pesadamente no bar.
— Dizem que não existe quem abrace um cadáver com tanta devoção se não houver amor profundo — comentou Luís.
Fausto refletiu por um momento antes de responder.
— Será que os boatos estão errados e aquela ossada é, na verdade, de Luana?
Nuno virou o copo, sentindo o álcool queimar suas entranhas, e bateu o vidro com força na mesa.
— Besteira.
— Ele odiava a Luana tanto assim, jamais levaria os restos dela para casa, muito menos para esconder debaixo das cobertas.
Luís franziu a testa, expressando sua dúvida.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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