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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 227

Suzana soltou um grito abafado e correu para ampará-la de volta à cadeira.

— Que castigo divino...

Camila estava em um estado onde não havia mais lágrimas para chorar.

Seu filho tinha enlouquecido de vez.

Sebastião levou a bandeja para o quarto e disse para a Luana na cama:

— Fiz aquela carne de panela que você adora. Vamos, levante para comer.

Ele colocou a bandeja sobre a bancada de vidro.

Caminhou até a cama, puxou o edredom e ergueu Luana de seu ninho de cobertas.

Começou a tentar alimentá-la com uma colher.

Mas Luana não abria a boca.

Ele ficou ansioso, sua voz rouca tentando persuadi-la:

— Luana, está delicioso. Não foram os empregados que fizeram, fui eu. Com as minhas próprias mãos. Me dê essa honra.

Vendo que Luana continuava sem abrir a boca, o rosto de Sebastião desmoronou.

Sua voz assumiu um tom de raiva contida:

— Se você não comer, vou ficar bravo. Não vou mais gostar de você.

Luana continuou sem comer.

Sebastião pareceu, por um instante, perceber a realidade de que ela não estava mais ali.

A dor no peito começou a se alastrar novamente.

Ele puxou os próprios cabelos, sentindo a respiração ficar cada vez mais difícil.

Abriu uma gaveta escura e tateou até encontrar um frasco de remédios.

Tirou dois comprimidos e engoliu a seco.

Aquele remédio já o acompanhava há algum tempo.

Desde que Luana insistiu em levar o Sílvio embora e ele não conseguiu impedir, ele só conseguia controlar a fúria em seu peito com aquilo.

A ansiedade maníaca e o fogo da raiva se dissiparam aos poucos.

Ele deitou Luana novamente na cama:

— Vou lavar seus pés. Depois vamos descansar, amanhã acordamos cedo.

Dito isso, Sebastião realmente foi ao banheiro e voltou com uma bacia de água.

A água, claro, permaneceu intocada, parada ao lado da cama.

Luana não falava com ele.

A razão que Sebastião havia perdido parecia estar retornando lentamente ao seu cérebro.

Ele percebeu que Luana tinha ido.

— Sebastião!

Camila avançou, gritando o nome dele e sacudindo-o pelos ombros.

Vendo que ele ainda não reagia, Camila perdeu o controle.

Ela começou a gritar com raiva:

— A Luana morreu! Você tem que encarar a realidade! Seu avô teve um derrame e acabou de ser levado para o hospital. Aquela gente... não sabemos o que vão tramar. Precisamos ir logo, não deixe o Plínio tomar a frente!

Camila falava coisas desconexas, repetindo-se nervosamente.

Justo quando as lágrimas dela jorravam de desespero, Sebastião finalmente falou:

— Mãe... dizem que, no fim, só precisamos de sete palmos de terra para dormir. Para que serve tanto dinheiro?

Camila ficou atordoada com as palavras do filho.

Levou um momento para reagir e rebater com severidade:

— Sem dinheiro, seremos estraçalhados por eles. Seremos pisoteados! E o império que você construiu com tanto suor cairá nas mãos de vilões, meu filho tolo!

Depois de um longo tempo, o homem na cama finalmente reagiu:

— Fique tranquila. Eles não podem me vencer.

Sebastião se levantou e começou a abotoar a camisa, devagar e metodicamente.

Exceto trazer Luana de volta à vida, não havia nada que Sebastião não pudesse fazer.

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